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Monthly Archives: March 2012

23 Mar 2012

When in my youth I’ve found this book on the shelf of my great-aunt-granny would never imagine the impact this would have on me. Foolishly romantic as I am, made me dream of true love, the one that not everyone will be able to live and feel in life, and made me awake the desire to write stories through my own words, of my own emotions.

But why such a impact?

The similarities with that character, Jane Eyre, had at the time – and still have – a very strong meaning to me. The loneliness, the waiting, the price of independence, passion, love, disappointment, trying to forget the reunion, the second opportunity, the reconciliation of all…My story is similar. It is not easy to wait. It is not easy to handle deviations and hauls. But, sometimes, it is rowing against the tide that we find the right margin.

Jane Eyre is a novel by English writer Charlotte Brontë published in 1847 and is among the classics of world literature. Tells the story of Jane Eyre that after a childhood and adolescence lacking of affection, becomes governess of the young Adèle, the pupil of Edward Rochester, the master of Thornfield Hall with she falls in love. Matched in their feelings, Jane accepted the marriage proposal of Mr. Rochester but discovers that he and Thornfield Hall hold a terrible secret from the past that will change her life. The whole story had mysterious and dramatic contours that grab the reader through the last page feeling all the feelings that torment the female character.

In addition to the romantic part of the novel, this story focus on the emancipation of women, her mind and desires – issue also spoken by another author of the time, Jane Austen – Brontë showing that women were perfectly able to work and have an independent living, married or not.

This book I have, has more than 70 years: It is the oldest translation made in Portugal and this work was published in 1941 by Editora Inquérito under the title “ A Paixão de Jane Eyre / The Passion of Jane Eyre.”

Quando na juventude descobri este livro na estante da minha tia-avó jamais imaginaria o impacto que teria em mim. Estupidamente romântica como sou, fez-me sonhar com o verdadeiro amor, aquele que nem todos conseguirão viver e sentir na vida, e fez-me despertar a vontade de escrever histórias através das minhas próprias palavras, das minhas próprias emoções.

Mas porquê tanto impacto?

As similaridades com aquela personagem, Jane Eyre, tiveram na altura – e ainda hoje têm – um significado fortíssimo. A solidão, a espera, o preço da independência, a paixão, o amor, a decepção, a tentativa de esquecimento, o reencontro, a segunda oportunidade, a conciliação de tudo… A minha história é semelhante. Não é fácil esperar. Não é fácil aguentar desvios e arrastos. Mas, por vezes, é remando contra as marés que encontramos a margem certa.

Jane Eyre é um romance da escritora inglesa Charlotte Brontë publicado em 1847 e está entre um dos clássicos da literatura mundial. Conta a história de Jane Eyre que depois de uma infância e adolescência carente de afecto, torna-se preceptora da jovem Adèle, a pupila de Edward Rochester, o revoltado dono de Thornfield Hall por quem acaba por se apaixonar. Correspondida nos seus sentimentos, Jane acaba por aceitar o pedido de casamento de Mr. Rochester mas descobre que ele e Thornfield Hall guardam um terrível segredo do passado que mudará a sua vida. Toda a história tem contornos misteriosos e dramáticos que agarram o leitor até à última página sentindo todos os tormentos e sentimentos daquela personagem feminina.

Para além da componente romântica da obra, esta história foca a emancipação da mulher, da sua mente e vontades – tema também muito abordado por outra autora da época, Jane Austen – mostrando Brontë que as mulheres eram perfeitamente capazes de trabalhar e ter uma vida independente, casarem ou não.

Este livro que eu tenho, tem mais de 70 anos: Trata-se da tradução mais antiga feita em Portugal desta obra e foi publicada em 1941 pela Editora Inquérito com o título “A Paixão de Jane Eyre”.

Isa Silva – March 15, 2012
23 Mar 2012

Charlotte Brontë

Charlotte Brontë

23 Mar 2012

Isa Silva – Jane Eyre / Charlotte Brontë

14 Mar 2012

This was not the first book by Boris Vian that came into my hands. I think that before reading “The Heart-extractor” a friend has lent me "The Red Grass”, and then I bought the unavoidable “Foam of the Days” and also “And One Shall Kill All the Dreadful Ones”. I have, however, a very special connection, a bizarre love relationship with “The Heart-extractor”. First of all, the book itself, the object, which is the first volume of the Livro B collection from Editorial Estampa. It’s a tiny book, it seems like it was printed in a garage-based print shop and it has that childhood pocket treasure look, far from aesthetic accessories and excessively marketizised covers. And then, when you open the book, the pages are blue and the letters have traces of paint, traces from the printing types. It is a wonderful object. "The Heart-extractor” (“L’arrache Coeur” in the original) is, in my humble opinion, one of the most beautiful titles ever. It makes an itch inside our guts, something that, without a doubt, is confirmed when we turn each one of the blue pages – blue, as blue are the slugs that make the twins Joel, Noel and Citroen fly when they eat them. Vian was a surrealist, and his works are surrealistic. Here, everything is a metaphor for the human condition and there is a hopelessness that accompanies us from beginning to end. I do not remember feeling hope when reading “The Heart-extractor”, but rather a crudity of spirit and a shuffling of the senses, something that Vian knew how to do very well, inventing new timelines and creating terrible metaphors for human behavior and indignities. Clementine’s animalistic obsession by her three children is, from my point of view, one of the most intense and disturbing maternal love (possession?) stories I’ve ever read. And, being such a disturbing book, so full of lightness on the one hand, and heavier than the entire world carried on one’s back, on the other hand, “The Heart-extractor" is one of those books that I always keep close at hand in my bookshelf. Sometimes we need one of these heart arrhythmias in order to remember not to throw the consciousness corpse into the river. Here, in the real world, Glóira will not come to collect our shame. But sometimes we run into a blue slug, winking at us, inviting us to fly.

Este não foi o primeiro livro de Boris Vian que me veio parar às mãos. Creio que, antes de “O Arranca Corações”, um amigo me terá emprestado “A Erva Vermelha” e, entretanto, comprei o incontornável “A Espuma dos Dias” e ainda “Morte aos Feios”. Tenho, no entanto, um carinho muito especial, uma relação de amor bizarra com “O Arranca Corações”. Antes de mais, com o livro em si, o objecto, que é o primeiro volume da colecção Livro B da Editorial Estampa. Pequenino, com ar de livro impresso numa gráfica de garagem, e tem aquele aspecto de tesouro de bolso da infância,longe de acessórios estéticos e capas excessivamente “marketinguisadas”. E depois, quando se abre o livro, as páginas são azuis e as letras têm resquícios de tinta, vestígio dos tipos com que foram impressas. É um objecto maravilhoso. “O Arranca Corações” (no original, “L’Arrache Coeur”) é, na minha humilde opinião, um dos mais belos títulos de sempre. Faz cá dentro uma comichão nas entranhas que, sem dúvida, se confirma ao virar cada página azul – azul como as lesmas azuis que fazem voar quando comidas pelos gémeos Joel, Noel e Citroen. Vian era um surrealista, e surrealistas são as suas obras. Aqui, tudo é uma metáfora para a condição humana e há um desalento que nos acompanha do princípio ao fim. Não me recordo de sentir esperança ao ler “O Arranca Corações”, mas antes uma crueza de espírito e um embaralhar dos sentidos, algo que Vian sabia fazer muito bem inventando novos espaços temporais (135 de Abrilosto, 80 de Dezarço…) e criando terríveis metáforas para os comportamentos e indignidades humanas. A animalesca obsessão de Clementina pelos seus três filhos é, do meu ponto de vista, uma das mais intensas e perturbadoras histórias de amor (posse?) maternal que alguma vez li. E, por ser um livro tão inquietante, pleno de leveza por um lado, e mais pesado que o mundo carregado às costas, por outro lado, “O Arranca Corações” é um daqueles livros que está sempre à mão na minha estante. Às vezes precisamos de uma destas arritmias cardíacas para nos lembrarmos de não atirar o cadáver da consciência para o rio. Aqui, no mundo real, a Glóira não virá recolher as nossas vergonhas. Mas às vezes esbarramos com uma lesma azul a piscar-nos o olho, convidando-nos para voar.

Laura Alves – February 10, 2012

14 Mar 2012

Boris Vian

Boris Vian

14 Mar 2012

Laura Alves – O Arranca Corações (L’Arrache-coeur) / Boris Vian

04 Mar 2012

The book tells the story of Macondo, a mythical city, and the descendants of its founder, José Arcadio Buendía, during a century. Using resources of magical realism, a style that would help to diffuse the book since its launch in 1967. A story mixing revolutions and ghosts, incest, corruption and madness, all handled with a surprising ease. A story that begins when things had no name, until the arrival of the telephone…

A train loaded with corpses. An entire population who loses its memory. Women who lock themselves in a dark house for decades. Men who trail behind a trail of yellow butterflies. These are some of the elements that make up the universe of this exuberant novel, which tells the story of this mythical city and its unforgettable inhabitants. Among all the books I’ve read so far, “Hundert Jahre Einsamkeit” (the german title), “One Hundred Years of Solitude” by Gabriel Garcia Marquez is one of my favorite books. It reflects the imagery, colors and even the smell of my world. It reminds me of my childhood filled with absurd, invented stories, specifically told by my mother. She lived in the post war southern Italy, living a not so pleasant reality for a little girl, her only consolation was to hear the stories told by adults, by the fireplace. The tales of my mother, a small treasure, that me and my sisters received and which she still transmits over to her grandchildren. It this treasure that I rediscovered in the books of Garcia Marquez.

I was born and lived in Zurich, Switzerland. A city of Zwinglian origin, during my childhood rather austere, fueled the exuberance in me for the opposite. A world of more “colorful” minds and beings. In a way this is the feeling that Garcia Marquez manages to convey me, to accept the diversity of multiple realities of the human being as a whole.

O livro conta a história de Macondo, uma cidade mítica, e a dos descendentes de seu fundador, José Arcadio Buendía, durante um século. Usando recursos do realismo mágico, estilo que ajudaria a difundir a partir de seu lançamento, em 1967, o livro mescla revoluções e fantasmas, incesto, corrupção e loucura, tudo tratado com naturalidade. A história começa quando as coisas não tinham nome e vai até a chegada do telefone…
Um comboio carregado de cadáveres. Uma população inteira que perde a memória. Mulheres que se trancam por décadas numa casa escura. Homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas. São esses alguns dos elementos que compõem o exuberante universo deste romance, no qual se narra a mítica história da cidade de Macondo e de seus inesquecíveis habitantes. Entre todos os livros que li até agora “Hundert Jahre Einsamkeit” (em almão), “Cem Anos de Solidão” de Gabriel Garcia Marques é um dos meus livros preferidos. Reflecte o imaginário, as cores e até o cheiro do meu mundo. Relembra-me a minha infância cheias de historias, absurdas, inventadas, especialmente narradas pela minha mãe. Ela que viveu o pós guerra no sul de Itália, com um dia à dia que nada agradável tinha a favor de uma pequena menina pela qual o único consolo era ouvir as histórias contadas pelos adultos ao pé da lareira. Os contos da minha mãe, um pequeno tesouro, que a mim e as minhas irmãs entregou e ainda hoje os entrega aos netos. É este tesouro dela que reencontrei nos livros do Garcia Marquez.
Nasci e vivi em Zurique na Suiça. Cidade de origem zwingliana e durante a minha infância bastante austera, alimentava a exuberância em mim pelo oposto. Um mundo mais “colorido” de mentes e de seres. De uma certa forma é este o sentimento que Garcia Marquez consegue transmitir-me, o aceitar da diversidade de múltiplas realidades do ser humano no seu conjunto.
Ornella Ascolese – February 22, 2012
04 Mar 2012

Gabriel Garcia Márquez

Gabriel Garcia Márquez

04 Mar 2012

Ornella Ascolese – Cem anos de solidão (One Hundred Years of Solitude) / Gabriel García Márquez