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Monthly Archives: July 2012

22 Jul 2012

Memories of my melancholy whores

I’m not a preference person. I can’t name my favourite musician, my favourite book, my most cherished painter. I know which are my favourite painters, and that some authors never disappoint me. But having to make a choice and pick one, just one, seemed like a critical challenge. So being part of a project in which I had to choose ‘the book of my life’ was somewhat contradictory. I tried to pick a writer… but it’s hard between Saramago and García Márquez. I tried to think of the book that marked me the most… useless. After all, different books mark different moments of our lives. When I read the recent news about the demential condition of García Márquez, I knew which author I ‘had’ to pick. When I started writing this text, I knew which book I had to highlight. I am a passionate woman, who cries easily, but rational and raw. I believe in falling in love with an image, in being charmed by a physique and in the simplicity and vicinity between such different feelings as passion and love. Memories of my melancholy whores is a most beautiful love story. The book’s crude title is a stark contrast with the whole story’s romantic depth. This book tells of the story of an old journalist and music critic who, when reaching his 90th birthday, decides to offer himself a night of wild love with a virgin adolescent. Throughout the story, the old man falls in love with the young woman he was never brave enough to wake up. It is a particularly well written novel that makes us think about such different themes as old age and passion.


Memórias das minhas putas tristes

Não sou pessoa de preferências. Não consigo nomear o músico preferido, o livro predilecto ou  o pintor de eleição. Sei quais são os meus pintores preferidos, sei que autores nunca me desiludem. Mas ter de fazer uma qualquer eleição e escolher um, só um, adivinhava-se um desafio crítico. Assim, meter-me num projecto em que tinha de escolher o livro “da minha vida” era um tudo nada contraditório. Tentei filtrar por escritor… mas entre Saramago e Garcia Marquez é difícil. Tentei pensar no livro que mais me marcou… em vão. Afinal, livros distintos marcam-nos em instantes distintos da vida. Quando li a mais recente notícia sobre o estado de demência de Garcia Marquez soube que autor “tinha” de escolher. Quando comecei a escrever este texto, soube que livro tinha de distinguir. Eu sou uma mulher de amores, de choro fácil mas racional e crua. Acredito no enamoramento por uma imagem, no encantamento pelo físico e na simplicidade e proximidade entre sentimentos não tão divergentes como a paixão e o amor.
Memórias das minhas putas tristes é uma belíssima história de amor. O título agreste do livro contrasta claramente com a profundidade romântica de toda a história. Este livro narra o enamoramento de um velho jornalista e crítico musical que, aquando o seu aniversário dos 90 anos, decide presentear-se a si próprio com uma noite de amor selvagem com uma adolescente virgem. Nos meandros da história, o velho apaixona-se pela jovem que nunca chegou a ter coragem de acordar. É um romance particularmente bem escrito que nos faz reflectir sobre dois temas tão distintos e profundos como a velhice e a paixão.
Vanessa Marchante, July 15, 2012
22 Jul 2012

Gabriel García Márquez

Gabriel García Márquez

22 Jul 2012

Vanessa Marchante – Memórias das minhas putas tristes (Memories of my melancholy whores) / Gabriel García Márquez

15 Jul 2012

A House for Mr Biswas

I do not know how it came into my hands, I think I borrowed it from someone but I cannot remember who it was, so I have not been able to return it. It took me a long time to decide which book I wanted to talk about. This is not the most important book in my life, because I have some more on that list, but with this one I developed a unique relationship. The cultural fatality that allows us to realize that everything that might go wrong will take for the worst, anguished me from the beginning, but by no means did I run away, not immediately. I dived. I resisted to sleep and eventually fell asleep, then woke up a few hours later to continue.

I tried to fool the character´s luck and decided that I should choose at what point I should finish reading it, so that when the time came, I would close the book and ignore the rest. From what I can remember, half way through the book, Mr biswas life reaches its peak, the best I believe is possible in that scenario. So this is the point I chose to be my ending. I closed the book and went about my life. Days later I stopped being paternalistic. Well, actually I could not resist the curiosity and went back to pick up the story. Maybe it would not run as badly as I expected, and perhaps even more joys would came his way. I joined again, unable to have (my) happy ending, but trying to understand a little better what is that thing “humbleness"… among many other riches.


Uma Casa para Mr. Biswas

Não sei como me veio parar às mãos, acho que mo emprestaram e como não me lembro quem foi, ainda não o pude devolver. Demorei bastante tempo para escolher o livro de que queria falar, não é o mais importante da minha vida, porque tenho mais alguns nessa lista, mas com este desenvolvi uma relação única. A fatalidade cultural que nos permite perceber que tudo o que tiver de correr mal irá correr pelo pior angustiou-me desde o inicio, mas nem por isso fugi, não imediatamente. Mergulhei, não dormi e se caía de sono, acordava umas horas mais tarde para continuar.

Tentei enganar a sorte do personagem e resolvi que deveria escolher em que ponto terminaria de o ler assim, quando chegasse o momento, fecharia o livro e ignorava o resto. Do que me lembro, mais ou menos a meio, a vida do Mr. Biswas corre da melhor maneira que eu acredito ser possível naquele cenário, então esse seria o meu final. Fechei o livro e fui à minha vida. Dias mais tarde deixei-me de paternalismos. Bom, na realidade não aguentei a curiosidade e voltei a pegar na história. Talvez não corresse tão mal como eu esperava, talvez ainda lhe chegassem mais alegrias e entrei outra vez, sem conseguir ter o (meu) final feliz, mas para entender um pouco melhor o que é isso da "humildade”….entre muitas outras riquezas.

Marta Gonzaga – July 13, 2012

15 Jul 2012

V.S. Naipaul

V.S. Naipaul

15 Jul 2012

Marta Gonzaga – Uma Casa para Mr. Biswas (A House for Mr Biswas) / V.S. Naipaul

03 Jul 2012

I chose a poet. My poet. The poet of so many who love the portuguese language. In the early ‘90s, I discovered Eugénio de Andrade. It must be it´s connection to the sea and to the land that conquers and inebriates those who read it. When I left my parents’ house, I spent my first nights painting the walls with poems from Eugénio de Andrade. Nowadays my enthusiasm for his words is more modest and private. Eugénio de Andrade used our language gently, intensely, casually. He spoke about passion, about loneliness, and of our country using words like ‘hands’, ‘fruit’, ‘teeth’, and he did it in a sublime way. He recreated new meanings for these words and used them in all their purity and rawness.

I could not choose another. This is my favorite book: a compilation of some of his essential works. The poems of Eugénio are my ‘headwaters of silence’, feeding a stream of thought, exulting our language. To speak, to write, to think, to suffer, to love in portuguese is good … Eugénio did it well and honestly. Each poem discovered in this book is a journey. Identification with the words is easy and natural. We stroll through the Alentejo, the streets of Porto or by the body of another one and we recognize these places, these moments, these smells. The words of Eugenio de Andrade are familiar, surprising but reassuring.

Eugénio used to say that ‘we go through things without really seeing them’. I was not indifferent to his work and I hope that whoever does not have the pleasure to know it, can discover in his poetry moments of empathy and identification.


Escolhi um poeta. O meu poeta. O poeta de tantos que amam a língua portuguesa.
No início dos anos 90, descobri Eugénio de Andrade. Deve ser esta ligação ao mar e à terra que conquista e inebria quem o lê. Quando saí de casa dos meus pais, passei as minhas primeiras noites a pintar as paredes com poemas de Eugénio de Andrade. Hoje o entusiasmo pelas suas palavras é mais recatado e privado. Eugénio de Andrade usou a nossa língua delicadamente, intensamente, despreocupadamente. Falou de paixão, de solidão, do nosso país usando palavras como ‘mãos’, ‘frutos’, ‘dentes’; e fê-lo de um modo sublime. Recriou novos significados para estas palavras e usou-as com toda a sua pureza e crueza.
Não podia escolher outro. Este é o meu livro favorito: uma compilação de algumas das suas obras essenciais. Os poemas de Eugénio são os meus ‘afluentes do silêncio’, alimentam um rio de reflexão, exultando a nossa língua. Falar, escrever, pensar, sofrer, amar em português é bom… Eugénio fê-lo bem e honestamente. Cada poema que se descobre neste livro é uma viagem. A identificação com as palavras é fácil e natural. Passeamos pelo Alentejo, pelas ruas do Porto ou pelo corpo do outro e reconhecemos estes lugares, estes momentos, estes cheiros.
As palavras de Eugénio de Andrade são familiares, surpreendem mas aconchegam. Eugénio dizia que ‘Passamos pelas coisas sem as ver’, eu não passei indiferente à sua obra e espero que quem ainda não tem o prazer de conhecer, descubra na sua poesia momentos únicos de empatia e identificação.
Sandra Gaspar – June 28, 2012
03 Jul 2012

Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

03 Jul 2012

Sandra Gaspar – Poesia (Poetry) / Eugénio de Andrade