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Monthly Archives: October 2012

23 Oct 2012

The Brothers Karamazov

I must have been 16 or 17 years old when I read this book for the first time. I couldn’t understand all the book’s complexity, at the time. But it remained like some sort of stain that came back to disturb once in a while. I came back to it later, several times. The last time I read it, it was the excellent Filipe and Nina Guerra’s translation. I realized in those later readings, the whole world, disturbing as I see it now, was inside this book.

Each one of the three Karamazov brothers represents one vision of the world, a different posture before life: in Dimitri, we find a passionate impulse; in Ivan the disenchanted cynicism; in Aliocha the restless faith. Dimitri launches himself into life like if each day was the last one and brings down everything and everyone in one storm of feelings and actions; Aliocha believes in God and in mankind, but he feels anxiety the world brings to him. However, despite the differences, they stick together to save what it’s still common to them – the love they feel for each other despite all. Russian life and the philosophic theories of the XIX century are imprinted in this book like a set of a story that walks to the tragedy, but ends like a blow of hope in mankind and in the world. It’s almost everything in there.


Os Irmãos Karamázov

Deveria ter 16 ou 17 anos quando li este livro pela primeira vez. Não fui capaz de perceber toda a complexidade do livro, na altura. Mas ficou como uma espécie de mancha que voltava para me inquietar de vez em quando. Voltei a ele mais tarde, várias vezes. A última vez que o li foi na excelente tradução do Filipe e da Nina Guerra. Percebi nestas leituras mais tardias, que o mundo todo, inquietante como o compreendo agora, estava dentro deste livro.

Cada um dos três irmãos Karamazov representa uma visão do mundo, uma postura diferente perante a vida: em Dimitri, encontra-se o impulso apaixonado, em Ivan o cinismo desencantado, em Aliocha a fé inquieta. Dimitri lança-se à vida como se cada dia fosse o último e arrasta tudo e todos numa avalanche de sentimentos e acções; Ivan analisa tudo como se pudesse olhar o mundo de fora, sem dele fazer parte; Aliocha acredita em deus e nos homens mas não deixa de sentir a inquietação que o mundo lhe traz. No entanto, e apesar das diferenças, são eles que se unem para salvar o que ainda lhes é comum – o amor que apesar de tudo, sentem uns pelos outros.

A vida russa e as teorias filosóficas do século XIX estão inscritas neste livro como cenário de uma história que caminha para a tragédia, mas termina com um sopro de esperança nos homens e no mundo. Está quase tudo ali dentro.

Fátima Pires – September 8, 2012

23 Oct 2012

Fyodor Dostoyevsky

Fyodor Dostoyevsky

23 Oct 2012

Fátima Pires – Os Irmãos Karamázov (The Brothers Karamazov) – Fiódor Dostoiévski

11 Oct 2012

Pride and Prejudice

I love several books, it’s not easy to choose a favourite one. They have been following me since I’ve learn to read and with them I’m always hoping for evasion. Pride and Prejudice is one of the books I always come back to, even though I’ve already read other books by Jane Austen. What binds me is the strength of a character who overcomes herself and achieves the respect and autonomy that women could not obtain ans that could also be denied to men.

Jane Austen did not create a feminist character. Created a character that makes us believe that anyone can excel without trampling his own dignity and that of others. Lizzie escapes from arranged marriages, the distress of the unmarried women, unattractive and without fortune or the loss of reputation. A woman before the twentieth century was fragile and dependent of her father and his fortune and, later, her husband’s respectability.Darcy, her pair, escaped from a marriage of tasteless coexistence, hateful.

Nowadays, whether men or woman are free, at least in official discourse, to do whatever they want in their lives. But aren’t we too trapped in the expectations of success, beauty and family? Prisoners of our own pride and prejudice. This books is a classic because of it. Two hundred years after and the questions still the same. As for responses, these, each one of us will find them.


Orgulho e Preconceito

Amo vários livros, não é fácil escolher um. Acompanham-me desde que aprendi a ler e com eles tenho sempre a esperança da evasão. Orgulho e Preconceito é um dos livros a que regresso sempre, mesmo que tenha lido outras histórias de Jane Austen. O que me prende é a força de uma personagem que se ultrapassa e consegue o respeito e a autonomia que as mulheres não podiam obter e que aos homens também podia ser negada.

Jane Austen não criou uma personagem feminista, criou uma personagem que nos faz crer que qualquer pessoa pode superar-se sem atropelar a sua própria dignidade ou a dos outros. Lizzie escapa aos casamentos arranjados, à angústia das mulheres solteiras, pouco atraentes e sem fortuna, ou à perda da reputação. Uma mulher antes do século XX era frágil e dependente do pai e da sua fortuna, e, mais tarde, da respeitabilidade do marido. Darcy, o seu par, escapou a um casamento de conveniência insípido, se não mesmo detestável. Hoje quer os homens quer as mulheres são livres, pelo menos no discurso oficial, para fazerem o que quiserem com as suas vidas. Mas não estaremos também presos nas expectativas do sucesso, da beleza, da família? Presos também no nosso próprio orgulho e preconceito. Por isso este livro é um clássico. Duzentos anos depois as perguntas são as mesmas. As respostas, essas, cada um de nós as encontrará.

Sandra Patrício – August 21, 2012

11 Oct 2012

Jane Austen

Jane Austen

11 Oct 2012

Sandra Patrício – Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice) – Jane Austen