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Monthly Archives: July 2013

17 Jul 2013

It was a reprint of the book, by Antigona, that led me to devour Jerome and Eulalia. I had a section on literature in Curto Circuito, in the distant end of the 90s, and that book would mark me  deeply. I easily fall for good stories, love stories. Almost always bitter and wounded. And Eulalia, with the simplest of names, conquered me to that blackness that painful passion brings. Littered with misspellings, reportedly editing errors since the author wrote too many, there I had, in my hand, a novel as tragic as extraordinary. A cold environment  in a rural Portugal, hard and intense. A harsh winter in the north of the country where a man and a woman intersect and intoxicate each other. 

Almost all the characters navigate in a limbo of madness and suffering, but always reflective. They doubt everything. They question the life they ardently want to be full. The love between insecure and dense Jerónimo and sweet Eulalia. But that Graça Pina de Morais always puts in a world of mismatch, which leads the characters to always question life. Existence. Choices.

I ended up getting interested about the author, unknown to me until then. Graça Pina de Morais, MD, won the Prix Ricardo Malheiros from the Academia de Ciências in 1969, the year Jerome and Eulalia was published. Considered best work of fiction of the year, it also won the Grande Prémio Nacional de Novelística. The author would eventually die in 1992 with little popularity but a lot of quality in the works she left.

Jerome and Eulalia, anyway, tell us a love story. Of passion. Touches and sensuality. From a dark adolescence, like all others. Jerome seems to refuse to accept his existence as a man who loves … and not always controls his instincts. And he regrets. “I chose poorly. I was a cautious man who only resorted to safe paths. ”

Jerome and Eulalia holds the place of choice on my shelf of “delights”. Beside Torga and Mishima. Graça is there.


Foi a reedição do livro, pela Antígona, que me levou a devorar Jerónimo e Eulália. Tinha uma rubrica sobre literatura no Curto Circuito, nos longínquos finais dos anos 90, e aquela obra marcar-me-ia profundamente. Sucumbo, facilmente, a boas histórias, de amor. Quase sempre amargas e sofridas. E Eulália, com o mais singelo nome, conquistava-me naquela negrura que a paixão dorida traz. Pejado de erros ortográficos, segundo consta, erro de quem fizera a revisão já que a escritora, ela própria, escreveria com diversos, tinha ali, na mão, um romance tão trágico quanto extraordinário. Num ambiente frio de um Portugal rural, duro e intenso. Um inverno rigoroso a norte do país onde um homem e uma mulher se cruzam e inebriam. Quase todas as personagens navegam num limbo de loucura e sofrimento, sempre reflexivas. Duvidam de tudo. Questionam uma vida que querem, ardentemente, cheia.

Um amor entre o inseguro e denso Jerónimo e a doce Eulália. Mas que Graça Pina de Morais coloca sempre num mundo de desencontro, o que leva os personagens a questionar, sempre, a vida. A existência. As escolhas. Acabei por me interessar sobre a autora, desconhecida para mim, até então. Graça Pina de Morais, médica, venceu o Prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências em 1969, ano em que Jerónimo e Eulália foi publicado. Considerada melhor obra de ficção do ano, arrecadou, ainda, o Grande premio Nacional de Novelística. A autora acabaria por morrer em 1992 com pouco nome mas muita qualidade nas obras que deixou.

Jerónimo e Eulália, assim mesmo, contam-nos uma história de amor. De paixão. De toques e sensualidade. De uma adolescência, como todas, tenebrosa.  Um Jerónimo que parece recusar-se a aceitar a sua existência como homem que ama… que nem sempre controla os seus instintos. E arrepende-se. «Eu escolhi mal. Fui um homem cauteloso que só recorreu a caminhos  seguros.» Jerónimo e Eulália mantém o lugar de eleição na minha prateleira das “doçuras”. Ao lado de Torga e de Mishima. A Graça está lá.

Rita Marrafa de Carvalho – July 4, 2013

17 Jul 2013

Graça Pina de Morais – Autores | Antigona

Graça Pina de Morais – Autores | Antigona

17 Jul 2013

Rita Marrafa de Carvalho – Jerónimo e Eulália / Graça Pina de Morais

06 Jul 2013

I am averse to compulsory readings since ever. Everytime someone said I had to read a certain book, this book would be doomed from the outset: I would not like it. “Jane Eyre” was, from the outset, doomed, when I realized that it was required reading for a chair of English literature in my first year of college. Moreover I had to read it in English, something that I was not used to. However, something happened and from the premonition of a possibly loathed book, it became my favorite book ever.

I always find it difficult to talk about “Jane Eyre” because I think that whatever I say will always fall short of what I really feel about this book. For me, this book showed me the power that comes from overcoming difficult times, the importance of defending what we believe in and follow our heart, the need to do something for ourselves and not in favor of the opinion of others. “Jane Eyre” is a journey, a discovery, a search of its own essence and affirmation of self. I identified with Jane in many ways: with her solitude, with the passion that simmers within her, the disappointments that she is faced with, the loyalty to those whom she loves, with her fall and getting up stronger, and I loved the way how nature affects the narrative and is a very important part in the crucial moments of Jane’s life. Furthermore, Rochester is an enigmatic character, with a certain magnetism and surrounded by mysteries, but it’s impossible to resist him.

This book was a milestone for me, both literarily and personally. It is the story of Jane’s life but it is also a love story, where nothing is easy and everything that could go wrong, goes wrong. But everything is redeemed, there is always a second chance and there is no way not to have hope and believe in love when it is true. I can not think of another book that has had such an impact on me like this one. From time to time I still return to Thornfield Hall, to the story of Jane and Rochester, like one yearning to return to bygone times, even those that one has not lived.


Sou aversa a leituras obrigatórias desde sempre. Sempre fui do contra e quando me diziam que tinha de ler um determinado livro, esse livro estaria condenado, à partida, a que eu não gostasse dele. “Jane Eyre” estava, à partida, condenado, quando percebi que era leitura obrigatória para uma cadeira de literatura inglesa do primeiro ano de faculdade. Ainda por cima tinha de o ler em inglês, algo a que não estava habituada. Porém, passou-se alguma coisa e, de premonição de livro detestado, passou a ser o meu livro preferido de sempre.

Sinto sempre alguma dificuldade em falar sobre “Jane Eyre” porque acho que o que quer que diga ficará sempre áquem daquilo que realmente sinto em relação a esta obra. Para mim, este livro mostrou-me o poder que advém de ultrapassar momentos difíceis, a importância de defendermos aquilo em que acreditamos e em seguirmos o nosso coração, a necessidade de fazermos algo por nós próprios e não em prol da opinião de terceiros. “Jane Eyre” é uma viagem, uma descoberta, uma busca da sua própria essência e afirmação do eu. Identifiquei-me com Jane de muitas maneiras: com a sua solidão, com a paixão que fervilha dentro dela, as desilusões pelas quais passa, a lealdade para com os que ama, com o cair e o levantar-se mais forte, e adorei a forma como a natureza interfere na narrativa e é uma parte muito importante nos momentos cruciais da vida de Jane. Para além disso, Rochester é uma personagem enigmática, com um magnetismo muito próprio e rodeado de mistérios, mas impossível de se lhe resistir.

Este livro foi um marco para mim, em termos literários e pessoais. É a história de vida de Jane mas também é uma história de amor, onde nada é fácil e tudo o que podia correr mal, corre. Mas tudo se redime, há sempre uma segunda oportunidade e não há como não ter esperança e acreditar no amor quando ele é verdadeiro. Não consigo pensar noutro livro que tenha tido tanto impacto em mim como este. De tempos a tempos lá retorno a Thornfield Hall, à história de Jane e Rochester, qual saudosista que precisa retornar a tempos idos, mesmo àqueles em que não tenha vivido.

Diana Marques – June 30, 2013

06 Jul 2013
06 Jul 2013

Diana Marques – Jane Eyre / Charlotte Bronte