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Monthly Archives: April 2015

29 Apr 2015

O Otimista Racional

Os livros são como os amores. Não há só um. Há vários. Variam em intensidade, importância, duração e nas lembranças que deixam. E tal como o amor é o reflexo  de nós naquilo que amamos,também os livros que escolhemos são reflexo daquilo que somos.

O “Otimista Racional”, sou eu! Uma pessoa que passou na minha vida (e acho que só para me deixar este pensamento…) disse-me: “Tu és a mulher mais racional que conheço”. Todos que me conhecem sabem que sou a pessoa mais otimista que conheço. Um otimismo sustentado, bem documentado. Talvez tendencioso aqui e ali – mas o absoluto também não existe!

O ponto de partida é que a Cultura que tem vindo a mudar, não a Natureza Humana. A evolução não é de genes – é de ideias! Que se encontram e procriam. A Inovação é cultura cumulativa, num eterno processo de mudança.

Este é um livro da apologia da Mudança. O otimismo racional não é (só) uma questão de temperamento ou instinto. É a análise da evidência: o progresso humano, em grande parte motivado pela especialização e desenvolvimento de mercados tem aumentado o acesso a alimentos, o rendimento e a esperança de vida. Há 200 anos que os pessimistas amedrontam a opinião pública (e o medo é sempre um bom instrumento de poder…) com a perspetiva de um ponto de inflexão. Contudo, a especialização do trabalho e do conhecimento em velocidade cruzeiro há 100 anos tem vindo a criar uma mentalidade coletiva que, agora neste mundo 2.0 onde (quase) todos estão em contacto, tem um potencial de parcerias com uma capacidade ilimitada de Inovação tanto no plano material como da biodiversidade.Vivemos tempos fascinantes! 

29 Apr 2015
29 Apr 2015

Margarida Pedroso Ferreira – O Otimista Racional / Matt Ridley

17 Apr 2015

Os Cadernos de Dom Rigoberto

Ainda não encontrei o livro da minha vida. Mas tenho vários livros para a vida. Mario Vargas Llosa é um dos escritores que mais admiro, e revisito “Os Cadernos de Dom Rigoberto” sempre que quero estar perto de uma das minhas personagens favoritas de sempre. Dom Rigoberto dedica-se aos livros e à arte de forma total, retira uma satisfação única da cultura, e de tudo o que lhe permite aprender e enriquecer a nível intelectual. Não se considerando intelectualmente superior, descreve sem rodeios que o ser humano pode escolher entre evoluir ou estagnar. A cultura é um ponto essencial, uma forma de liberdade e escape da opressão social e profissional, o conhecimento é sempre a forma pela qual o individuo “se desintoxica da espessa crosta de convencionalismos embrutecedores, vis rotinas.” (pág. 230)

A vida de Dom Rigoberto está nos seus cadernos, a que recorre continuamente, meditando sobre o passado, expondo pontos de vista, escrevendo sobre o que gosta e sobre o que o atormenta. É uma espécie de cavaleiro branco da busca constante do conhecimento e da sabedoria. Mas ao mesmo tempo, e como verdadeiro apreciador dos prazeres da vida, atribui ao sexo e ao desejo físico um patamar de importância elevada e cuidada, envolvendo-se constantemente em devaneios eróticos por Dona Lucrécia, o expoente máximo do prazer na sua vida. O ponto de onde tudo parte e onde tudo termina, o seu tudo e o seu nada. O desejo constante por ela eleva-lhe de tal modo a criatividade que vive a imaginação como se de realidade se tratasse. A mim aconteceu-me durante todo o livro considerar as suas divagações realidade, deixar-me levar, e acreditar que os cenários criados pudessem estar fora dos seus cadernos.

Este livro tem passagens que me marcam profundamente. Que sei que irei reler muitas vezes.

Márcia Balsas – March 3, 2015

17 Apr 2015
17 Apr 2015

Márcia Balsas – Os Cadernos de Dom Rigoberto / Mário Vargas Llosa

10 Apr 2015

“ Sem Família” mostrou-me a força, o encanto, o poder da palavra escrita, das histórias, da ficção.

Tinha dez anos quando o li e nunca mais parei de ler histórias. Por essa altura, comecei também a contar histórias através das  personagens que fazia no Teatro. Também nunca mais parei.

A viagem de Remi através de França, à procura da sua família, acompanha-me há quarenta anos. O autor é Hector Malot.

“ (…) Tínhamos percorrido parte do Sul de França.

         A nossa forma de viajar era das mais simples; íamos sempre para a frente, ao acaso, e, quando encontrávamos uma aldeia que de longe não nos parecia muito miserável, preparávamo-nos para uma entrada triunfal. Eu arranjava os cães, penteando Dolce, vestindo Zerbino, colocando um emplastro no olho de Capi para que ele pudesse representar o papel dum velho veterano, e, finalmente, obrigava Joli-Coeur a vestir o seu fato de general.

        Posto os actores em grande aparato, Vitalis agarrava no pífaro, e, em boa ordem, desfilávamos pela aldeia(…).

        (…) E para mim foi uma grande felicidade essa aprendizagem, que me preparou para resistir aos golpes que mais de uma vez me deveriam atingir, duros e esmagadores, durante a minha juventude (…)

Manuela Couto – April 12, 2015

10 Apr 2015
10 Apr 2015

Manuela Couto – Sem Familia / Hector Malot