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Monthly Archives: July 2015

16 Jul 2015

Não gosto nem nunca gostei de romances.
Li muitos há muitos anos atrás. Achei que devia devorar clássicos para perceber melhor a vida. Mas a vida nos romances era normalmente previsível. E nunca me surpreendi com os finais. Por isso ganhei o vício de ler vários ao mesmo tempo. A preocupação moralista ou a ausência da mesma nos finais trouxe-me sempre a sensação de deja-vu. Raras foram as vezes que isso não aconteceu. Posso indicar quando. São aqueles finais em que ninguém assenta a poeira. Deixa-se tudo revolto para podermos pensar em diferentes planos de aterragem. Afinal quanto mais finas as linhas da mão, maior é o livre arbítrio.
Por outro lado, faltou-me sempre gritos nos romances. Ou eram em forma de pastilha elástica. Peixe cozido, ou água com açúcar. Para mim, o certo eram os contos; curtos e com um murro no estômago. Uma arte difícil. Mas eu queria balas e por isso virei-me para a poesia.
O livro da minha vida por isso mesmo é um livro de poesia. Pequeno e escrito em circunstâncias para mim, arrepiantes. Do coração de um dos porta vozes da Beat Generation durante uma das suas passagens pelo hospital psiquiátrico de Rockland, nasce de uma recomendação médica (entre alguns choques eléctricos para “curar” a suposta esquizofrenia) de terapia artística; o falar em voz alta, o gravar de pensamentos. E por isso esta escrita soa tão bem falada ao meu ouvido. E a bala é certeira em mim.
É “o” livro. Não é só o melhor retrato desta jovem minoria nos anos 50 mas da importância que “Ser minoria” deveria ter ainda hoje. Numa era minada pela importância de ser gostado (não amado), de sacrificar em prol do ego (não de amor próprio) e de parecer (nunca de ser), Allen Ginsberg oferece-nos pérolas no seu estado mais puro, principalmente quando nos manda à cara uma bomba chamada “Song”; o melhor poema que já li. Um exercício de simplicidade como é difícil de ver em qualquer língua sobre o amor; a língua mais difícil de ser falada pela maioria. Mas como isto é sobre os que teimam em ir por caminhos difíceis- corações ao alto! E viva a vulnerabilidade dos que teimam traduzir tudo em nome dele.

Margarida Rodrigues – 16 de Julho de 2015

16 Jul 2015
16 Jul 2015

Margarida Rodrigues – Howl / Allen Ginsberg

15 Jul 2015

A escolha do livro preferido foi muito difícil para uma pessoa um tanto indecisa como eu, mas, pensando em qual poderia representar-me melhor que outros, a decisão calhou em “A Utopia"de Tomàs Morus, o clássico das mentes e corações sonhadores.
Tendo nascido nos anos ‘80 nunca tive muitas ilusões de poder viver num mundo justo, honesto e "quente”, onde os sonhos se podem realizar; o que vi desde pequena foi inveja, egoísmo, competição e injustiça juntamente a uma grande falta de esperança de mudar o estado das coisas. Desde quando o futuro mudou de signo (de positivo para negativo) um grande abismo apanhou o lugar da esperança no coração e ma mente colectiva do corpo da sociedade e as distopias apanharam o lugar das utopias no imaginário colectivo.
Felizmente, nesta “época de paixões tristes” nunca parei de sonhar e imaginar um mundo melhor, onde os seres tivessem realmente respeito de si próprios, pelos outros e pelo nosso ambiente.
A leitura e o estudo de quem escreveu e pensou noutros tempos e noutros ambientes è basilar para perceber que o melhor è imaginável e possível (e temos que lutar quotidianamente na microescada pessoal para ter alterações na macroescada) e em particular para perceber que alem de tudo o que pode acontecer, nada e ninguém pode fazer-nos perder o fogo da paixão e da esperança que temos no nosso interior.

Carlotta Premazzi – 14 de Julho, 2015

15 Jul 2015
15 Jul 2015

Carlotta Premazzi – A Utopia / Thomas Moore

08 Jul 2015

Levo três livros para o Mário.

A dança da realidade de Alejandro Jodorovsky; Stieglitz on Photography- his selected essays and notes e Fala uma mulher de Anais Nin.

Tenho que escolher um, apenas um diz o Mário.

Escolho a Anais e o Fala uma mulher.

Já é uma companhia desde a adolescência, a Anais. Primeiro na prosa poética simbólica e mágica de Casa do Incesto e Espia na casa

do amor. Depois nos  seus diários, registo factual da sua vida e mapa de navegação para entender a sua obra.

Na altura em que desenvolvia a minha série fotográfica As filhas de Lilith, li algumas das obras consideradas essenciais à compreensão literária do movimento feminista do século XX:

O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir e Um Quarto que seja seu de Virginia Woolf. O Fala uma mulher de Anais Nin, veio parar às minhas mãos nessa altura.

É um livro composto por excertos de entrevistas e conferências dadas pela escritora entre 1966 e 1973. Se por um lado este livro fala da importância de um movimento universitário/académico próspero na partilha de opiniões entre criadores/pensadores e alunos, em última análise com este livro é possível conhecer o trajeto intelectual e pessoal da escritora Anais Nin.

Através da sua visão sobre a literatura e a arte em geral, assim como as suas considerações sobre as questões da psicanálise, do feminismo e a influência das mesmas na construção da sua obra e vida.

Em comum nos três livros, a forma como encontro nos livros os meus mapas de navegação. Feitos a partir das experiências em primeira mão, neste caso de criadores que ao procurarem dar resposta às suas demandas pessoais de entendimento da realidade, criaram obras plenas de sentido, literária no caso de Nin, performance e cinema no caso de Jodorowsky e  fotografia no caso de Stieglitz.

Ana Pereira – 6 de Julho, 2015

08 Jul 2015
08 Jul 2015

Ana Pereira –  Fala uma mulher / Anais Nin