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Levo três livros para o Mário.

A dança da realidade de Alejandro Jodorovsky; Stieglitz on Photography- his selected essays and notes e Fala uma mulher de Anais Nin.

Tenho que escolher um, apenas um diz o Mário.

Escolho a Anais e o Fala uma mulher.

Já é uma companhia desde a adolescência, a Anais. Primeiro na prosa poética simbólica e mágica de Casa do Incesto e Espia na casa

do amor. Depois nos  seus diários, registo factual da sua vida e mapa de navegação para entender a sua obra.

Na altura em que desenvolvia a minha série fotográfica As filhas de Lilith, li algumas das obras consideradas essenciais à compreensão literária do movimento feminista do século XX:

O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir e Um Quarto que seja seu de Virginia Woolf. O Fala uma mulher de Anais Nin, veio parar às minhas mãos nessa altura.

É um livro composto por excertos de entrevistas e conferências dadas pela escritora entre 1966 e 1973. Se por um lado este livro fala da importância de um movimento universitário/académico próspero na partilha de opiniões entre criadores/pensadores e alunos, em última análise com este livro é possível conhecer o trajeto intelectual e pessoal da escritora Anais Nin.

Através da sua visão sobre a literatura e a arte em geral, assim como as suas considerações sobre as questões da psicanálise, do feminismo e a influência das mesmas na construção da sua obra e vida.

Em comum nos três livros, a forma como encontro nos livros os meus mapas de navegação. Feitos a partir das experiências em primeira mão, neste caso de criadores que ao procurarem dar resposta às suas demandas pessoais de entendimento da realidade, criaram obras plenas de sentido, literária no caso de Nin, performance e cinema no caso de Jodorowsky e  fotografia no caso de Stieglitz.

Ana Pereira – 6 de Julho, 2015

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