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Monthly Archives: September 2015

29 Sep 2015

Mágoas e Sonhos – Poesias de Albaro (edição de autor – 1962)

Muitos dos que se expressam através de alguma arte começaram um dia com um sonho, uma visão, uma vontade incontrolável de fazer chegar às pessoas o seu trabalho.

O livro da minha vida é de meu tio Alfredo Bastos Rodrigues (1938-2015), poeta que assinou como ALBARO desde a sua primeira empreitada de poemas em 1956. Porque digo empreitada? Porque ele escreve as suas primeiras páginas soltas aos 18 anos e consegue editá-las em edição de autor aos 24 anos… alguém que não vinha de uma burguesia literária, filho de um barbeiro empreendedor e de uma costureira bem-disposta e que teve de criar a sua própria estrutura para conseguir tornar aquelas páginas soltas escritas à mão, num livro que todos pudessem ler.

Conseguiu concretizar o que idealizou e desde aí, nunca parou, escrevendo para a Dom Quixote, participando em Antologias de Poesia, anos a fio até perder totalmente a energia, já que sofria de uma doença rara no coração que o impedia de ter um dia de 16 horas acordado, como o comum dos mortais.

Este livro deu-me a cor das palavras tristes e sentidas de um jovem de coração partido pelo seu primeiro amor e fez-me escrever as minhas primeiras letras musicadas que expressavam também minhas angústias e perdas. Aventurei-me, ele deu-me o mote e eu segui-o. Deu-me, também, asas para eu própria sonhar em concretizar os meus sonhos, contra ventos e marés pois, se meu tio, na sua fraca figura de doente, sempre arranjou tempo para ser quem idealizou ser, porque não eu, saudável petiz de tenra idade, cheia de sonhos por cumprir…

Partilho em tom de homenagem sentida, pois partiu, meu tio amado e querido, no início deste ano…deixou saudades. Mas a mim, deixou-me mais que a saudade de sua coragem e bondade. Deixou-me uma vontade redobrada de ajudar meus pares artistas a acreditarem inequivocamente em seus sonhos, sem nunca baixarem os braços.

Christina Quest, 28 de Setembro de 2015

29 Sep 2015
29 Sep 2015

Christina Quest – Mágoas e Sonhos / Albaro

14 Sep 2015

Diários – Al Berto

O livro.

Não saberia decidir qual deles o livro mais importante, o favorito.

Há tantos ao longo da vida e são muitas as coisas que gosto: frases, excertos, sensações.

Seria justo escolher apenas um?

O livro é físico, cheira-se, pesa na mão, temo-lo por casa ou dentro da carteira para ler em qualquer altura. Gosto de sublinhar parágrafos inteiros, dobrar cantos de páginas importantes, marcar, rasgar. Não sou apologista da impecabilidade da capa, gosto das rugas e das marcas do uso.

Li aquele livro e marcou-me. Eu marquei aquele livro também.

Gosto sobretudo de voltar a pegar num livro já lido e reler as anotações – as minhas ou as de outrem. O que sentia? Certamente serão feitas novas anotações, pois à segunda leitura mergulha-se ainda mais profundamente.

O livro é um objecto muito pessoal  e é difícil explicar a terceiros porque nos fascinamos tanto, pode ser uma frase, um poema.. Uma palavra a seguir à outra, perfeitas. Histórias inventadas ou as outras, as verdadeiras. Tudo muito bem alinhado página a página, outras vezes na ilusão do caus, a estória confusa e entrecortada como um jogo.

Como explicar porque gostamos de um livro?

Quando o Mário me pediu para falar sobre um livro importante para mim muitos deles eram diários. Fascina-me a transgressão de espreitar dentro do pensamento de outra pessoa, a emoção nua, sem a máscara de nenhuma personagem, mas também essa rotina de descrever a vida de uma forma muito emotiva e pessoal na primeira pessoa. Sim, uma leitura voyeurista.

Os diários. O lugar secreto onde se descrevem as coisas  mais privadas e emocionais lado a lado com as mais mundanas. A descrição das rotinas pessoais de cada um, como ir ao café ou a descrição de um jantar, lado a lado com uma declaração de amor.

Por isso escolhi o livro “Al Berto Diários”.

O primeiro livro que comprei do Al Berto foi O MEDO, e foi uma paixão arrebatadora. Quando soube que iriam publicar os diários fiquei curiosíssima e assim que foi editado, comprei-o de imediato. O livre engloba os diários entre 1982 a 1997. E vamos descobrindo um homem que questiona a vida, a morte, o desejo e o amor. Passaram-se 3 anos: livro anotado, marcado e sempre na mesa de trabalho onde o posso folhear a qualquer instante.

“quantos livros me faltarão ler? uns poucos de linhas de livros diferentes, são o livro ideal.” 26 MAR 1985, rua do Forte (Al Berto, Diários)

Rute Magalhães, 11 de Setembro de 2015

14 Sep 2015
14 Sep 2015

Rute Magalhães – Diários / Al Berto