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Monthly Archives: August 2016

04 Aug 2016

O Principezinho – Antoine de Saint-Exupery

«Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas!». Sim, não fujas dessa responsabilidade. É ela que te torna especial aos olhos de alguém.

No início dos anos 90 li “O Principezinho” quando andava na escola secundária, como qualquer criança da altura. Também como qualquer criança, não lhe achei grande piada à partida e mais de metade das metáforas para que a obra nos remete, perderam-se entre um jogo do elástico no recreio e uma música nova que urgia decorar.
Tal como também acontece a muitos de nós, o livro foi-me acompanhando nos primeiros anos de vida adulta, quer fosse numa aula de Português, já num nível mais avançado, num workshop de teatro, ou porque alguém se lembrava de o referir numa conversa. Velhinho, amarelado mas muito bem estimado, este “Principezinho” que o Mário fotografou estava no meu “quarto de solteira” em casa dos pais quando, há pouco mais de um ano, o resgatei após um jantar em família.
Inspirada a ler em voz alta pelo meu grande amigo Basílio Vieira, que não conhecia o conto (onde andaria essa pequena criatura!?), comecei a gravar-lhe, capítulo a capítulo, a odisseia d’”O Principezinho” enquanto este vai conhecendo as estranhas mas cativantes personagens que são, afinal, um disfarce linguístico para quase todo o tipo de gente que atravessa o nosso caminho ao longo da vida.
«Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, às três eu já começo a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o meu coração», diz a raposa. E não é verdade que gostamos de nos preparar para receber aqueles de quem mais gostamos? É quase como se estivéssemos ainda mais tempo com eles!
Rendida, novamente, ao menino fictício dos cabelos de ouro e olhos azuis, acredito ter encontrado, finalmente, a camada de significação mais profunda que o autor nos queria fazer chegar com este livrinho. Percebendo isso, eu e o Basílio acabámos por escolher esta obra, ajudada por um conjunto de felizes acasos, para dar início ao nosso podcast de audiolivros SBROING no ano em que a o conto ficou livre de direitos de autor e ganhou forma, cor e movimento no cinema.
«É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas». Verdade, verdadinha. Nada do que é realmente bom e grande na vida nos chega sem uns valentes dissabores pelo meio.
Através das conversas que o piloto tem com o principezinho, vamos conhecendo a visão do autor sobre a superficialidade do Ser Humano e a inocência inteligente que os adultos parecem esquecer à medida que crescem. Ambos já nos tínhamos esquecido um bocadinho disso.
O “Principezinho” já era uma obra incontornável para toda a gente. Agora faz parte do meu ADN e a ele recorro quase diariamente para ir buscar sentido às agruras e felicidades quotidianas.
«Os homens não têm tempo para conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens já não têm amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!», lembra a raposa. Faz isso. Vai valer cada minuto investido.

Daniela Azevedo – 26 de Julho de 2016

04 Aug 2016
04 Aug 2016

Daniela Azevedo – O Principezinho /Antoine de Saint-Exupéry