Estou em Loulé para o Festival MED desde quarta-feira. Tem sido muito estimulante e trabalhoso, mas ainda não consegui acesso internet desde que cá cheguei (estou a aproveitar uns minutinhos para escrever isto). Fotografias e videos provávelmente vão ter de esperar até que volte a Lisboa.
Notas curtas:
1º Dia:
Destaque para Aynur, que tem uma voz aguerrida e para Sara Tavares que junto com o seu excelente grupo, empolgou a multidão que enchia o palco da Matriz.
2º Dia:
Natacha Atlas tem uma voz poderosa, impressionou-me a sua versão de “Black is the colour of my true love’s hair”, mas não só.
Os Sergent Garcia, apesar de terem de tocar com instrumentos emprestados (os seu extraviaram-se e não chegaram a tempo do concerto) e de terem feito o “sound-check” durante a primeira música, deram um show de música dancante que contagiou a todos.
Hoje é um dia muito cheio, haja alma e pernas para tudo.

Tenho estado a preparar uma apresentação para a Exposição Fios de Vida de Arlindo Pinto.
Para vos dar uma ideia do que vou falar, deixo aqui o texto que escrevi para o catálogo da exposição:
“Temos de deitar fora a camera, não passa de uma ferramenta que nos diz que o mundo existe, e o que ela nos mostra é quase sempre menos interessante do que o que realmente se passa.”
Peter Greenaway
A pintura clássica morreu no dia em que a fotografia nasceu, assim como o cinema se finou no dia em que o controle remoto foi introduzido nas nossas casas.
A fotografia não ficou a salvo desta sorte, já que muito provavelmente morreu em data incerta durante a década de noventa do século passado, quando a utilização dos computadores se começou a vulgarizar, e se desenvolveram as suas capacidades de alterar tudo o que é passível de se transformar em linguagem binária.
Em qualquer destes meios de expressão, a maioria dos praticantes continuou a fazer o que sabia como se nada tivesse mudado, e não há nada de errado nisso.
No entanto, a partir do momento em que é possível utilizar vários meios de expressão artística e produzir um resultado final que não podemos classificar facilmente, houve artistas que começaram a pensar que podia ser muito estimulante trabalhar dessa forma. A partir dessa altura começámos a ter dificuldade em encaixar os artistas numa gaveta com uma etiqueta simples e segura.
Foram inventadas novas etiquetas, mas como acontece sempre, não chegaram para todos.
Os artistas fora da gaveta podem escolher entre querer entrar para uma, ou ficar de fora e preocuparem-se apenas com as suas criações, porque independentemente da técnica usada, o que conta é o resultado final.
Junho 2007
Podem ver o convite aqui.