A corrente que desabou em cima de mim

Estava eu aqui todo contente a mandar bocas às correntes livreiras, quando me cai uma mesmo em cima da cabeça!

Mas como não me passa pela cabeça fazer uma desfeita à desafiante, aqui se segue a lista, sem qualquer ordem particular, dos livros que tiveram algum efeito em mim (quanto a mudar a vida não sei, não tenho instrumento calibrado que possa fazer tal medição).

1 - Domingo à Tarde / Fernando Namora

Li este livro umas seis vezes num curto espaço de tempo (algures nos anos 70), mas não me recordo de uma linha dele. Tenho quase a certeza que isto quer dizer alguma coisa.

2a - Tire a Mãe da Boca (textos do programa radiofónico «O Homem no Tempo») / João Sousa Monteiro

O Homem no Tempo foi um programa de João David Nunes e João de Sousa Monteiro, transmitido entre 18 Maio de 1977 e 29 Dezembro de 1978 no “FM estéreo da Radio Comercial”. O que teve real importância em mim foi o programa de rádio, que me mostrou o que era possível fazer nesse meio e que estava muito para além de passar discos e conversar sobre eles (Em Órbita, Dois Pontos). O livro permite ler os textos e ver as anotações para as sequências sonoras das emissões. Caramba, era um cd/dvd que eu comprava se por acaso os autores o decidissem editar e as fitas não tiverem sido apagadas!

2b - Tabú Príncipe dos Cágados, de Fraldas ao Vento, Ladra às Portas do Futuro / João Sousa Monteiro

Sequência do anterior.

3 - Contos do Gin Tonic / Mário Henrique Leiria

O humor ácido e corrosivo de Mário Henrique Leiria foi amor à primeira vista, continuam a merecer ser lidos estes contos.

4 - Morte aos Chuis e ao Campo de Honra / Benjamim Péret

Ah, o surrealismo que me sorriu tanto numa determinada fase, deixou cá qualquer coisita apesar de tudo.

5 - Amor de Perdição / Camilo Castelo Branco

Este livro está aqui incluído por razões históricas, acho que foi o livro que mais me custou ler (programa obrigatório do Liceu). Detestei!
Todo o processo de leitura me pareceu uma longa sessão de tortura física pelos esbirros mais sádicos da Gestapo. Depois disto nunca mais li nada de Camilo Castelo Branco o que até pode ser injusto para o já há muito defunto escritor.

6 - Os Maias / Eça de Queirós

Os Maias tambem faziam parte do programa obrigatório, mas li-os com imenso prazer e em muito pouco tempo. Continuo a gostar do Eça.

7 - Auto da Barca do Inferno / Gil Vicente

Já os temas medievais me agradavam e ainda disso não tinha plena consciência. O bom velho Gil, “still crazy after all this years”.

8 - De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cú / Jorge de Sousa Braga

A provocação do titulo e dos poemas que se encontrei no interior nesse já distante ano de 1982, fizeram-me ter uma outra ideia da poesia (não atirem pedras que mudei os vidros há pouco tempo…).

9 - Revolt into Style: The Pop Arts in Britain / George Melly

Lembro-me vagamente de ouvir a recomendação de Jaime Fernandes num dos programas Dois Pontos, acerca da sua importância para conhecer o fenómeno da música Pop e meti na cabeça que tinha de o ler. Acho que o encontrei na Livraria Bertrand e foi o cabo dos trabalhos para o ler com o meu inglês da altura, que estava mais adaptado à intrepretação de letras de canções do que a um livro inteiro. O livro falava da arte Pop na Inglaterra de então, pelo que me senti enganado quando as referências aos Beatles (a minha razão para comprar o livro) não constituiam a totalidade do livro. Mas foi a minha estreia a ler um livro sem ser em português.

10 - Os Poucos Poderes / fotografias de Jorge Guerra, com poemas de Ruy Belo e João Miguel Fernandes Jorge, com coordenação de José Sasportes

Em 1894, quando tinha começado há pouco tempo a dedicar-me à fotografia com empenho os livros de fotografia eram caros e raros (raros já não são, mas a maioria continua cara!). Este livrinho editado pela Gulbenkian reúnia duas qualidades, era bom e acessível económicamente. Também já me mostrava subliminarmente que a publicação de livros de fotografia em Portugal era empresa para fazer desistir até Alexandre o Grande (as fotografias datam dos anos 60 e só em 84 foram editadas). Já havia uma lição a aprender aqui, mas como de costume eu não quis saber. Este é o único deste lote que não tenho comigo, já que deve ter desaparecido em casa alheia em data incerta.

Quero no entanto frisar que sempre fui mais influenciado pelas revistas de BD (Tintin, Jacto, Visão, A Suivre…) e por filmes e discos do que por livros, o que não me parece crime nenhum, já que os livros sempre tiveram um papel importante, embora não o principal.

E depois de tudo isto, é chegado o momento de passar a corrente a mais umas pessoas e assim passo a :

innersmile

António Pires

Luís Rei

Leonel Vicente

Rui Branco

Mas não fico zangado se não quiserem pegar na corrente.

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12 Responses to “ A corrente que desabou em cima de mim ”

  1. Olá Mário!

    Eu continuar, até continuava, mas não houve assim tantos livros que mudaram a minha vida, entre as centenas que já li… Influenciar, influenciar sim, mas… mudar? Mudar houve um, e apenas um: «A Metamorfose», de Kafka.

    Grande abraço

  2. Quando tiver alguma disponibilidade, ´pegarei na corrente’…
    Um abraço.

  3. Quando tiver alguma disponibilidade, ´pegarei na corrente’…
    Um abraço.

    Leonel Vicente

    (tinha faltado a identificação…)

  4. Olá António

    Pá, porque não falas dos livros de música que te mostraram novos caminhos a explorar ou aqueles que mais mais te enfureceram :)

  5. Olá Leonel, já vi a tua lista e tem lá o Júlio Verne que também li bastante :)

    Um abraço

  6. Olá Mário,

    é uma tarefa exigente. Também não houve assim muito livros que “mudaram” a minha vida. Deixa-me pensar bem nela durante o fim-de-semana.

    abraço

    lr

  7. desafio respondido :)

  8. Ok Luís, fico à espera dessa lista :)

    Abraço

  9. miguel, gostei de ver que abandonaste aqueles, eu nem sequer lhes cheguei a pegar ;)

  10. Vamos a ver se lá para meados de Outubro te dou troco. Estou quase a ir finalmente de férias :-)

  11. Olã!
    É incrivel e triste, como outros incriveis, que «
    O Homem no Tempo

    » esteja apagado das provas de história da rádio e da cultura e que apenas uns “velhos jarretas” se recordem na sua falha memória. Que a net não tenha mais a dizer sobre isso, que João Sousa Monteiro não seja nada conhecido.
    Restam neste mundo umas cassetes «piratas»…

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    O homem no Tempo.mp3

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    Mas nesse tempo não era ainda a RDP 4 FM-stereo? Acho que sim… e pouco importa se estiver enganado.

  12. Obrigado Luis, efectivamente há muitos autores que vão ficando no “underground”. Felizmente comprei os livros antes de eles ficarem esgotados.

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