A música e as épocas

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Foto: Mário Pires - Retorta.Net

Parece que se discute por a questão das quotas da música portuguesa. Acho um absurdo essa questão, por uma razão muito simples, há sempre maneira de cumprir a lei sem ter em conta aquilo que supostamente o legislador tinha como intenção base (que espero que não tenha sido beneficiar estruturas industriais nativas ao invés dos criadores). Somos peritos em fugir ás leis, especialmente àquelas que já vêm com “buracos legais” mesmo a jeito.

Se a “música portuguesa” precisa de leis e de “reservas de índios” para sobreviver então é porque já está extinta.

Agora o que se pode discutir é toda a questão da divulgação que se faz da música, seja ela destinada à maioria da população, ou dirigida específicamente a alguns públicos com características muito específicas. Se as rádios privadas são apenas mostruários de publicidade com umas músicas de permeio para atraír ouvintes, só posso lamentar o facto e mudar de posto (o que faria se por acaso ouvisse rádio como fazia há 20 anos atrás). As rádios públicas teriam um pepel mais pedagógico (que não quer dizer que tenham de desempenhar esse papel de uma forma anti-pedagógica) mas o normal é seguirem o exemplo da RTP e terem as mesmas práticas das estações comerciais.
O facto é que raramente ouço rádio hoje em dia (a não ser as notícias da manhã enquanto tomo o pequeno almoço) e mesmo assim consigo conhecer projectos nacionais de uma forma muito regular. Acho que há alguma vitalidade na música portuguesa e não me parece que esses projectos dependam da rádio como aconteceu em épocas pré-internet. Provavelmente se forem ao Youtube são capazes de encontrarem autores que nem sabiam que existiam e cujos videos têm muitos acessos.
Se puxar pela cabeça ainda me lembro que os UHF e os Xutos e Pontapés tinham sempre assistência nos concertos mesmo antes de terem discos gravados (foi num século diferente, por isso não estranhem) pelo que os projectos fortes acabam sempre por sobreviver.

Claro que muito mais haveria a dizer, mas fico-me por aqui, que já me alonguei e costumo ser muito telegráfico.

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