Texto - A neo-Jacquerie de Maputo

Texto - A neo-Jacquerie de Maputo

License

This work is published under a Licença Creative Commons.

Share/Save/Bookmark

Leave a Reply

You can use these XHTML tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <blockquote cite=""> <code> <em> <strong>

WordPress database error: [You have an error in your SQL syntax; check the manual that corresponds to your MySQL server version for the right syntax to use near ';div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&#39;http://4.bp.blogsp' at line 1]
INSERT INTO wp_bdprss_items_v3 (item_feed_id, item_url, item_name, text_body, item_update_time, item_time, item_date) VALUES ('36', 'https://www.blogger.com/comment.g?blogID=19299359&amp;postID=5242425350498888617&amp;isPopup=true', '/uma fotografia, um nome\', '&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&#39;http://4.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/SScu9id4ZqI/AAAAAAAADGI/1-WnXnCq948/s1600-h/mva_le-temps_retrouve.jpg&#39; target=&#39;_blank&#39; rel=&#39;nofollow&#39;&gt;&lt;img src=&#39;http://4.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/SScu9id4ZqI/AAAAAAAADGI/1-WnXnCq948/s400/mva_le-temps_retrouve.jpg&#39; style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 266px;&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5271233523619489442&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-size:78%;&quot;&gt;Manuel Valente Alves, &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Le temps retrouvé&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 78%;&quot;&gt;© &lt;/span&gt;Manuel Valente Alves&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(51, 204, 255); font-size: 180%;&quot;&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Fotografar não é apenas “o acto fotográfico” como quer Philippe Dubois. É também o depois, o muito depois: seleccionar, escolher o suporte e, cada vez mais, cortar, manipular. Porque é este hoje o tempo da fotografia e, como nós, a imagem não se quer imutável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no acto fotográfico há ainda o enorme “antes”, mais ou menos atento, mais ou menos denso. Faz-se uma imagem porque sim, porque se tem uma câmara ou porque cá dentro tudo se conjuga e a síntese parece estar ali, naquele momento. E a imagem, esta ou aquela, trazem consigo um pouco do mundo irredutível à captação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Manuel Valente Alves&lt;/span&gt; habituou-nos à solidez do seu conceptualismo; por vezes militante, extremamente conceptualizado ou minimalista, obrigando a libertar o olhar da forma e procurando o sentido. Uma chamada de atenção para o nosso descontentamento ou uma hipótese de descoberta de uma cultura que abandonara a natureza do mundo. Vindo da pintura, recusou as gavetas do estilo e definiu os recursos das artes como um código de pesquisa e decifração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas num pintor, o que faz a sublimação das pulsões pode ser a cor. E é com o olhar de pintor que Manuel Valente Alves construiu esta imagem. Os azuis são quase impressionistas porque a refracção do ar os liquefaz, mas a intensidade ambígua do céu e os reflexos amarelos da luz fazem lembrar a intemperança de &lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;William Blake&lt;/span&gt;: estes vultos indeterminados seguem em frente inconscientes do abismo. O céu deste entardecer tem a cor de uma estação que envelhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a fotografia nos diz é muito do que queremos ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A composição fotográfica, definindo um espaço cénico, pode ser como o espelho de Alice, a vida é aí que reside, tão arbitrária ou louca como a que deixou para trás. Não interessa a ausência, a nossa recusa do realismo perfeito, o selo do pretérito que a qualifica. Com ou sem perspectiva cónica nós entramos no espelho, seguimos o anzol do enigma. Somos, para a imagem, o seu mundo invisível, mas também o caçador que persegue a presa. E aí o suporte deixa de interessar, papel ou digital, uma parede, um livro ou um ecrã, a imagem é o jardim secreto dos nossos sustos ou das nossas memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo a fixidez da imagem pode esconder a vida que a anima, o movimento que suspendeu. Nem a (calculada) distância percorrida, abrindo um espaço de sedução entre nós e os ciclistas que rodam, lhe retira a realidade. A composição e o enquadramento que são o seu autor – e que nos dão o passaporte para a descoberta e a empatia – abrem uma totalidade enfeitada de detalhes onde nos procuramos: a fotografia é, antes de tudo um modo de existência, está ali porque o acontecer esteve ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas construir um jardim secreto é um recurso à poesia e à ilusão perceptiva, do fotógrafo e do observador. O perigo é a contemplação, que não faz mal a ninguém, mas que nos tira a liberdade do olhar.&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(51, 204, 255); font-size: 130%;&quot;&gt;”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(102, 102, 102);&quot;&gt;Maria do Carmo Serén&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Manuel Valente Alves&lt;/span&gt; é médico, professor, editor e fotógrafo.&lt;br /&gt;Dirige o Museu de Medicina da F.M./U.L. e programou em colóquios e encontros &lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;(&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;ex. &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;O Impulso Alegórico&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; a relação arte e Medicina', '1228448478', '1228448466', '2008-12-04')