A minha primeira experiência com a propaganda que me lembro (para além dos livros de leitura do Estado Novo, que tinhamos de utilizar todos os dias) foi durante o período 1974/75 através das sessões de esclarecimento liceal de alguns grupos maoistas (não me lembro quais, havia uma profusão deles na época). Lembro-me de uma em especial, não só por causa do poster que colaram na sala, como também por causa dos disco de cânticos revolucionários (presumo que fossem porque a capa era semelhante ao cartaz) que puseram a tocar no fim.
O carácter irrealista da propaganda sempre me fascinou, mas agora que já passou a época em que se levava isto a sério, e também aquela em que se tinha vergonha da primeira, chegámos à época em que estes posters ganham um certo cunho de imortalidade através de estudos e de livros como estes. Desligadas da sua função inicial, vivem agora como “collector’s items”. Só é pena que os criadores não beneficiem em nada de todo este interesse actual.
Foto: Mário Pires - Retorta.Net
Segunda à noite fui ao CCB ver o concerto de Anoushka Shankar. O meu gosto pela música indiana já vem de longe desde que a ela fui introduzido através da faixa “Love You too” do album dos Beatles Revolver.
Anoushka Shankar e o seu grupo tocaram durante hora e meia, música que tanto deve à tradição indiana como ocidental, música essa que me proporcionou muito prazer auditivo.