Com uma obra gravada entre 1974 e o inicio dos anos 80 a Banda do Casaco foi um grupo que ainda hoje pode ser encarado como absolutamente inovador e inultrapassável.
Qualquer dos seus discos aborda a música tradicional portuguesa sem qualquer espécie de cerimónia ou paninhos quentes. Enquanto outros procuram reproduzir até a tosse dos cantores populares das gravações de Giacometti, eles nunca partiram desse pressuposto.
As fontes eram encaradas como ponto de partida e abertas a todas as experimentaçãoes sonoras e para o diabo com os tradicionalistas.
Mesmo hoje, 30 anos depois desta obra ter sido inicialmente editada, tudo soa tão estimulante como no dia em que foi editado. A Banda não fez escola porque infelizmente a sua atitude em relação

Filarmónica Fraude – Epopeia
Antecedente da Banda do Casaco, a Filarmónica Fraude durou muito pouco, editou este LP, um single e dois EP’s. No entanto apesar da pouca quantidade, a qualidade era muita, e muito mais se iria ouvir alguns anos mais tarde.
Ler aqui e aqui algo mais.
A semana passada dediquei bastante atenção a estes dois discos:
Nunca liguei muito aos Madredeus, embora tenha gostado de ouvir o seu album de estreia na altura em que saiu. Depois deixei de prestar grande atenção, já que me parece que a formula se começou a repetir e as canções perderam algo com a insistência no mesmo modelo.
Mas nestes dois discos, estão algumas das melhores canções da música portuguesa dos últimos 25 anos, e tardei em reconhecer esse facto e desfrutar delas.
Há algo de muito português nestas canções onde a melancolia e a alegria quase não se separam, e que por isso resistiram ao tempo e ás modas tecnológicas.
É dificil escolher uma, mas se o tivesse de fazer escolheria “O Pastor”, que com poucas palavras consegue despertar muita emoção.
O Pastor
(Pedro Ayres Magalhães /
Ai que ninguém volta
ao que já deixou
ninguém larga a grande roda
ninguém sabe onde é que andou
Ai que ninguém lembra
nem o que sonhou
(e) aquele menino canta
a cantiga do pastor
Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
deixa a alma de vigia
Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
acordar é que eu não queria.