Durante muito tempo, acreditei no mito, infelizmente muito popular, que melhor material me permitiria criar melhores fotografias. Agora que penso estar curado de tal maleita, posso apreciar a forma como Raquel Meyers utiliza as limitações que os programadores de jogos de antanho enfrentavam para criar obras visuais que nos dão gozo ver.
As limitações podem ser um poderoso estimulante para a nossa criatividade, mesmo se impostas voluntariamente como método de trabalho.
Consigo fazer um paralelo entre os criadores como Raquel Meyers e os pintores abstractos, que depois da invenção da fotografia ousaram quebrar os padrões do realismo e avançaram sem medo para outras formas de expressão sem espartilhos artificiais e sem vergonha.
Agora que temos jogos 3D quase perfeitos no seu “realismo”, nada como desenvolver criações visuais que abraçam as limitações de formas e de cores como a sua fonte de energia.
Já tenho uma conta no Vimeo há algum tempo, escolhi-o por achar que os video lá colocados ficavam com um aspecto muito melhor do que quando colocados no Youtube (embora este seja incontornável para efeitos de divulgação do trabalho). Esta utilização muito utilitária do serviço, fez com que nunca tivesse prestado muita atenção ao que outros utilizadores lá colocam.
Shame on me!
Nos últimos dias tenho explorado um pouco o acervo do Vimeo e só me posso arrepender de ter levado tanto tempo a reparar nos excelente videos que por lá se podem ver.
Os exemplos abaixo talvez vos motivem a vsitar o vimeo com regularidade :
Static - Dynamic from decay79 on Vimeo.
On This Day, Years Ago, You Emerged From Your Mother’s Va-jay. from Karen Abad loves Dinosaurs. on Vimeo.
Words and Thoughts in RGB from Eduardo Morais on Vimeo.
Deolinda ao vivo no S. Jorge, concerto de lançamento do CD “Canção ao lado”
Foto: Mário Pires - Retorta.Net
Ontem à noite, fui ao concerto dos Deolinda no S.Jorge. A sala estava cheia e o ambiente era caloroso. As canções dos Deolinda baseiam-se no fado, mas também nas marchas e outros sons populares urbanos menos recentes. Isto podia levar quem lê a pensar que se tratava de um grupo revivalista, no entanto uma das grandes qualidades do grupo é nunca soar datado ou a um pastiche mal amanhado. Para esse facto contribui em muito a grande qualidade técnica e inventiva dos músicos e a presença vocal e pessoal da vocalista Ana Bacalhau. Confesso que me interroguei se o cd conseguiria traduzir a qualidade e imaginário do grupo, mas depois de o ouvir durante toda a manhã, posso dizer que essas dúvidas foram afastadas, o disco faz justiça ao grupo sem sombra de dúvida, com a grande vantagem do tratamento gráfico escolhido para o CD realçar bem o lado Lisboeta da personagem Deolinda, que nos espectáculos não é tão evidente (apesar das camilhas e da mesinha) e pode passar despercebido.

Todo o pacote gráfico do disco está muito bem pensado e executado (parabéns ao ilustrador João Fazenda e ao design de vivóeusébio).
Isso está patente na contracapa do livro interior do cd, onde esse imaginário lisboeta está bem retratado (e aparecem mesmo alguns músicos para além dos membros do grupo).

Para quem tem curiosidade de saber como são dos Deolinda ao vivo aqui fica “Ai rapaz” filmado no concerto dado nos Recreios da Amadora, há alguns meses.
Deolinda - Ai Rapaz from Mário Pires on Vimeo.