PLATÓNOV: Por quem se apaixonaria ela aqui? Por si mesma? Não acredites no riso dela. Não se pode acreditar no riso de uma mulher inteligente que nunca chora: ela ri-se quando tem vontade de chorar.
(Platónov, Anton Tchekhov, 1881) [Link]
Riches I hold in light esteem, And love I laugh to scorn; And lust of fame was but a dream That vanish'd with the morn: And if I pray, the only prayer That moves my lips for me Is, "Leave the heart that now I bear, And give me liberty!" Yes, as my swift days near their goal, 'Tis all that I implore: In life and death a chainless soul, With courage to endure. Emily Brontë
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De Cukor a Almodóvar, passando por Fassbinder e tutti quanti, os cineastas gay têm indiscutível olho para as mulheres. Um dos melhores em actividade(melhor cineasta e melhor olho, salvo seja) é François Ozon. Retomando o que fiz com Natalie Portman e Scarlett Johansson, aqui deixo o despique Ludivine Sagnier (Swimming Pool) x Romola Garai (Angel). Quem quiser acompanhar o voto de uma declaração de voto, o mail está lá em cima.
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Down the blue night the unending columns press In noiseless tumult, break and wave and flow, Now tread the far South, or lift rounds of snow Up to the white moon's hidden loveliness. Some pause in their grave wandering comradeless, And turn with profound gesture vague and slow, As who would pray good for the world, but know Their benediction empty as they bless. They say that the Dead die not, but remain Near to the rich heirs of their grief and mirth. I think they ride the calm mid-heaven, as these, In wise majestic melancholy train, And watch the moon, and the still-raging seas, And men, coming and going on the earth. Rupert Brooke
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O Curso de Especialização em Museologia (equivalente ao 1º ano do ciclo de estudos em Museologia conducente ao grau de Mestre, segundo o processo de Bolonha / em fase de aprovação) vai arrancar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto a partir de 15 de Setembro (Departamento de Ciências e Técnicas do Património – FLUP, Via Panorâmica, s/n Porto, com o email dctp@letras.up.pt .
Abrange áreas como: museu, colecções, conservação, exposições, serviços educativos, novas tecnologias, arquitectura, desenvolvimento, parcerias, criatividade e património (para ver melhor a imagem seguinte clicar no símbolo de SlideShare e voltar a clicar em ecrã cheio).
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Numa crítica ao penúltimo livro de Slavoj Žižek, Terry Eagleton diz que o esloveno é “fenomenal”. Eis um epíteto justo. Há outros pensadores vivos igualmente complexos e igualmente polémicos, mas talvez nenhum com interesses tão diversificados. E certamente nenhum tão divertido (exactamente: divertido). Lacaniano e marxista, o filósofo tem produzido dezenas de ensaios sobre biopolítica, ciberespaço, ideologia, fundamentalismo, cultura de massas e tudo mais que nos acontece. Depois do sucesso colossal em vários países, a Relógio D’Água traduziu cinco Žižeks, e agora surge na Orfeu Negro (uma chancela da Antígona) “Lacrimae Rerum”, volume dedicado ao cinema.
Žižek já andou por esses territórios em “Enjoy Your Symptom!: Jacques Lacan in Hollywood and Out” (1992), onde dissecava o cânone segundo categorias como o Real, o Imaginário ou o Simbólico. E em 2006 entrou num documentário de Sophie Fiennes chamado “The Pervert’s Guide to Cinema”, filme em que aparecia no meio de cenas conhecidas e explicitava a componente fantasmática da realidade cinematográfica e da realidade vivida. “Lacrimae Rerum”, quatro ensaios publicados separadamente nos últimos oito anos, continua essas reflexões. Nalguns momentos, é lícito perguntar se estes textos mesmo sobre cinema, no mesmo sentido em que também perguntamos isso sobre os célebres livros de Deleuze; com efeito, Žižek usa e abusa dos filmes, fazendo digressões imprevisíveis e colagens de ideias estonteantes.
Žižek trata aqui dois autores mais óbvios e dois bastante arriscados. Ninguém estranha que ele se interesse por Hitchcock, por exemplo, cineasta “perverso” como poucos. Hitchcock tem sido uma vítima da “sobre-interpretação”: tudo nos seus filmes já foi dissecado até à exaustão. Mas Žižek não se incomoda nada com isso, e avança sustentando a ideia de que Hitchcock não se baseia em argumentos mas em motivos. A perversidade de Hitch está nas suas obsessões visuais; tudo o mais serve como pretexto (ou seja: como “McGuffin”). A leitura žižekiana de “Psico” é especialmente buliçosa, e acaba com a explicação de influência da arquitectura (isso mesmo) na personagem tresloucada de Anthony Perkins; assim, Žižek sugere, e com argumentos, que se o Bates Motel tivesse sido construído por, digamos, Frank Gehry, o pobre rapaz não se tinha tornado homicida. Eis um exemplo de inventividade sustentada e exibicionismo intelectual. Acontece que em Žižek isso nunca irrita: é sempre (mas sempre) fascinante.
Vejamos como ele pega em David Lynch. Žižek acha que devemos evitar o cliché de que os filmes de Lynch são de uma complexidade sem saída, um pesadelo sem lógica, uma bombardeamento implacável dos sentidos. Pegando em “Estrada Perdida”, ele demonstra que essa complexidade tem (entre outros) um sentido preciso: recriar uma “femme fatale” moderna. A “femme fatale” clássica (dos anos 1940) acabava destruída, mas deixava o seu fantasma intacto; a “femme fatale” revisitada (nos filmes de John Dahl, por exemplo) destrói o seu fantasma e sobrevive; mas então o que fazer depois disso? Žižek argumenta que Lynch reactualiza essa fantasia masculina de um modo original, recorrendo a um “sublime ridículo” que é um terço romantismo, um terço violência e um terço hermetismo.
Escrever sobre Kieslowski e Tarkovski parecia à partida mais ousado, em especial porque Žižek vê neles traços de “obscurantismo”. Mas a esse passo atrás segue-se um salto em frente: o filósofo propõe-se apresentar Tarkovski e Kieslowski como cineastas materialistas. Impossível? Nada é impossível para o fenomenal Žižek. Senão vejamos. Žižek explica que Kieslowski começou pelo documentário por razões materialistas: ele queria mostrar a realidade polaca (desolada) tal como ela era, para a contrapor à visão optimista oficial. Foi isso que o fez mergulhar no real. Mas Kieslowski apercebeu-se da “obscenidade” do documentário enquanto género, do seu carácter intrusivo. Daí que tenha passado à ficção: mas depois verificou que a ficção é igualmente vulnerável, porque expõe a nossa fragilidade e os nossos fantasmas. A solução provisória encontrada pelo realizador foi encenar acasos, universos alternativos, narrativas em aberto, encontros misteriosos (nomeadamente no “Decálogo”, aqui analisado num ensaio magistral). Mas o “destino”, diz Slavoj Žižek é uma saída falsamente “espiritual”: por um lado porque a vida fragmentada e aleatória corresponde de facto à experiência contemporânea; e depois porque o “destino” em Kieslowski não vale como uma realidade, mas como uma fantasia (ideológica).
Estejamos ou não convencidos, temos ainda o grande desafio: Tarkovski. Žižek admite o “reaccionarismo” do russo, mas encontra uma solução: diz que tudo o que parece espírito em Tarkovski é afinal matéria (ou, no mínimo, projecção mental). O cineasta tinha certamente intenções espirituais, e fazia dos seus filmes uma “viagem interior”. Mas a verdade é que esses filmes, por exemplo “Solaris” ou “Stalker”, são sobre a materialização (concreta) de fantasmas. Uma materialização da sexualidade masculina em “Solaris” (a mulher como projecção do homem). E uma materialização da angústia religiosa em “Stalker”. Se este último anda à volta de uma misteriosa “Zona” onde os desejos supostamente se concretizam, essa Zona só ganha uma aura mágica porque é inacessível: quando se chega lá, não tem nada de especial. A Zona existe porque se criou um mistério chamado a Zona. E isto já não é obviamente crítica de cinema: é uma psicanálise da religião.
Que as teses aparentemente implausíveis, as idiossincrasias políticas e o jargão lacaniano não afastem ninguém: Žižek cultiva um humor eslavo irrequieto e obsceno, uma voracidade associativa, uma inteligência esmagadora e um gosto pela provocação admirável. E no meio dos cineastas estudados, aparecem milhentas outras coisas: Kleist, a MTV, “A Profecia Celestina”, Ruth Rendel, Ivan Reitman, o Solidariedade, “Os Pássaros Feridos”, a sodomia, Yoda e Heidegger. Creio que não há ninguém que não goste ao menos de uma destas coisas.
(no Ípsilon de hoje) [Link]
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LENDO
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OUVINDO
ÁTOMOS E BITS
de 4 de Julho de 2008
Uma excelente notícia, para variar, vinda da Universidade de Aveiro: o Corpus Lexicográfico do Português.
Os primeiros dicionários da Língua Portuguesa, publicados nos séculos XVI, XVII e XVIII, podem ser consultados on-line, permitindo a leitura de testemunhos raros da evolução do Português e do significado das palavrasEste fundo documental, designado Corpus Lexicográfico do Português, resulta de um trabalho de edição iniciado em 2001 na Universidade de Aveiro, com a transcrição e tratamento informático de um conjunto de dicionários antigos, que não tiveram reedições modernas, e que por isso permaneciam inacessíveis para o grande público e até para a generalidade dos especialistas, que apenas os podiam consultar em algumas bibliotecas.
Actualmente é possível consultar 16 textos, efectuar pesquisa de palavras e obter concordâncias. Entre as principais obras destacam-se o primeiro dicionário de língua portuguesa e latina, de Jerónimo Cardoso, a Prosódia de Bento Pereira e o Vocabulário Português e Latino de Rafael Bluteau. Estão também disponíveis recolhas de provérbios e adágios antigos. A informação lexical com acesso a contextos e à identificação das fontes é destinada aos estudos literários, culturais e linguísticos mas apresenta motivos de interesse para o público em geral, que pode encontrar testemunhos da mudança de sentido de palavras como caramelo (gelo), drogas (especiarias), mecânico (artesão), pensar (alimentar), polícia (leis) …
Pode ser acedido aqui.
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No seu penúltimo romance, O Homem Lento, o escritor sul-africano J. M. Coetzee (n. 1940) tem outra vez à perna Elizabeth Costello, e desta vez em sentido literal. Para quem não saiba, Elizabeth Costello é o alter-ego do autor. Apareceu pela primeira vez em 1999, com A Vida dos Animais e, em 2003, a obra que precede O Homem Lento leva mesmo o seu nome no título. O processo é simples: Coetzee cria uma situação de mise en abyme (ou seja, de encaixe) de modo a inserir na intriga um mecanismo de auto-contemplação. Elizabeth Costello é escritora: « começa a recordar-se de quem ela é. Tentou uma vez ler um livro escrito por ela, um romance, mas desistiu: não lhe prendeu a atenção. [...] Em tempos que já lá vão (agora está a escavar na memória) ela foi célebre por uma coisa qualquer, mas isso parece ter desaparecido, ou talvez fosse apenas mais uma tempestade dos meios de comunicação.» Os dois falam a mesma linguagem (no romance de 2003 ela comenta ensaios do autor) e provocam-se mutuamente.
O fotógrafo Paul Rayment é um homem diminuído. Foi atropelado e amputaram-lhe uma perna: « O impacto [...] deu-se em cheio no joelho, e havia uma componente acrescida de rotação, de forma que a articulação fora ao mesmo tempo esmagada e torcida.» Como se não bastasse, apaixonou-se pela enfermeira, Marijana Jokics, uma mulher com formação em arte, que emigrou com o marido e os filhos para a Austrália, país onde não teve oportunidade de aplicar o saber obtido em Dubrovnik. Paul Rayment é um dos seus pacientes.
Longe da Croácia natal, a família Jokics vive os equívocos da diáspora. Em Adelaide, uma cidade muito diferente da Munno Para de onde veio, Miroslav Jokics, um restaurador conceituado, vê-se obrigado a ganhar a vida como mecânico de automóveis. É o desenraizamento dessa família que permite a Coetzee discorrer sobre os óbices e consequências do expatriamento, algo que conhece bem. (Natural de Cape Town, o escritor deixou a África do Sul em 2002, radicando-se na Austrália.) À primeira vista poderão parecer experiências diferentes, porque os Jokics foram ao encontro de outra cultura, e de uma língua nova, enquanto que o “exílio” de Coetzee o manteria no mundo de língua inglesa. Pura falácia. A realidade encalha onde menos se espera. Com efeito, Coetzee é um genuíno africânder, alguém que cresceu e se formou à sombra da cultura e língua africânder (a origem remonta a 1652, quando os primeiros colonos holandeses se fixaram em Cape Town), nessa qualidade tendo traduzido, para o inglês e outros idiomas, a literatura nativa. É na qualidade de escritor sul-africano emigrado na Austrália que o protagonista do seu último romance, Diary of a Bad Year (2007), inédito em Portugal, comenta o terrorismo, a globalização, os desastres ecológicos, o avanço das experiências genéticas e outros temas mediáticos. Quando trocou a África do Sul pela Austrália, e não foi o único escritor sul-africano que o fez, Coetzee emigrou, de facto, para outra cultura. Por isso é que, ao falar da família Jokics, está na verdade a lamber as suas próprias feridas.
À margem das questões identitárias (convém não esquecer o peso que a experiência colonial tem no conjunto da obra do autor), O Homem Lento é uma epifania sobre o envelhecimento e a perda do amor. A obsessão de Paul Rayment por Marijana é que o impede de desistir. Por essa mulher, casada e mãe de filhos, fará o que for preciso. Nem que tenha de corromper o filho, esse Drago « demasiado luminoso» que tem estampada a marca da morte. O rapaz quer ir para o Wellington College, cujas propinas não estão ao alcance dos pais? Não seja por isso. Paul Rayment assina o cheque. Afinal de contas, nunca tinha tido uma paixão balcânica! Quem o traz de volta à terra, obrigando-o a reflectir na insensatez, é Elizabeth Costello. Não se trata de moral. Mrs. Costello preocupa-se com questões práticas: « É melhor que esteja também limpo para ela. Se falo com crueza, desculpe. Lave-se bem. Lave tudo. E desfaça-se dessa cara triste. Perder uma perna não é uma tragédia. Pelo contrário, perder uma perna é cómico. [...] Caso contrário não haveria tantas piadas sobre o assunto.»
Ao longo do livro, há envios ao Ulisses de Joyce e a certos personagens de banda desenhada, bem como referências de outro tipo, mas tudo isso flui com extrema naturalidade na prosa dúctil de Coetzee. Sem a força de obras anteriores, como, por exemplo, À Espera dos Bárbaros (1980) ou A Vida e o Tempo de Michael K (1983), romances que têm um ímpeto declarativo que contrasta com o tom resignado da história do fotógrafo perneta, ainda assim O Homem Lento evidencia a excepcional capacidade narrativa do autor.
O Fotógrafo Perneta, in Ípsilon, 4-7-2008, p. 40. Quatro estrelas.
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Chegaste com a tua tesoura de jardineiro e começaste a cortar: umas folhas aqui e ali uns ramos que não doeram… Eu estava desprevenida quando arrancaste a raiz. Yvette Centeno
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COISAS DA SÁBADO : COMO NOS PESADELOS
Há uns filmes de terror em que alguém está numa sala que vai começando a ser invadida por água. A água vai subindo e a pessoa vai lutando para manter a cabeça à tona. Até que o tecto da sala se aproxima inexoravelmente e fica apenas aquele movimento desesperado de encontrar a última película de ar que sobra. Umas vezes há salvação, aparece o herói, outras, se o filme de terror é a sério, a imagem seguinte é o corpo a boiar sem vida.
Os portugueses começam a perceber que estão num filme deste género. Qualquer noticiário lhes diz aquilo que verificaram no supermercado, na bomba de gasolina, no transporte, na conta do fim do mês, na prestação da casa: os preços estão a subir como a água do filme de terror. Com eles, as dívidas, porque a facilidade traiçoeira do crédito do consumo está presente na sala, como se acrescentássemos ao perigo do afundamento, o de um tubarão qualquer que dá voltas, ao lado. É overkill, mas é mesmo. [Link]
El segundo crepúsculo.
La noche que se ahonda en el sueño.
La purificación y el olvido.
El primer crepúsculo
La mañana que ha sido el alba.
El día que fue la mañana.
El día numeroso que será la tarde gastada.
El segundo crepúsculo.
Ese otro hábito del tiempo la noche.
La purificación y el olvido.
El primer crepúsculo…
El alba sigilosa y en el alba
la zozobra del griego.
¿Qué trama es esta
del será, del es y del fue?
¿Qué río es éste
por el cual corre el Ganges?
¿Qué río es éste cuya fuente es inconcebible?
¿Qué río es éste
que arrastra mitologías y espadas?
Es inútil que duerma.
Corre en el sueño, en el desierto, en un sótano.
El río me arrebata y soy ese río.
De una materia deleznable fuí hecho, de misterioso tiempo.
Acaso el manantial está en mí.
Acaso de mi sombra
surgen, fatales e ilusorios, los días.
(Jorge Luis Borges) [Link]
Of whom so dear The name to hear Illumines with a Glow As intimate—as fugitive As Sunset on the snow— Emily Dickinson
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reflexo
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A partir de hoje os novos cães portugueses passam a ter obrigatoriamente implantado um micro processador que os identifica. Os cães passam a ter bilhete de identidade escrito no corpo, e um número único, como se fosse um código de barras. Nada impede que o que se está a fazer aos cães se faça aos humanos e estou convencido que será apenas uma questão de tempo. No século XX muitos humanos estiveram já marcados, como o gado, nos campos de concentração.
Começará como é costume, por um princípio de necessidade, depois de facilidade. Começará por exemplo, para marcar os bebés numa maternidade para que não haja trocas, depois o estado convencer-nos-á que só há vantagens em andar de código de barras electrónico para se houver um acidente se saber qual é o código sanguíneo, ou que se pode assim seguir os pedófilos por GPS, etc., etc.. Depois será mais fácil atravessar as filas da segurança dos aeroportos, ser atendido numa repartição, etc., etc. É só uma questão de tempo. [Link]
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OUVINDO
ÁTOMOS E BITS
de 3 de Julho de 2008
Por que razão a afirmação de Joana Amaral Dias (na SICN) de que querem fazer a "chinesização" da Europa não é uma afirmação racista? [Link]
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Comenta o jornalista:
“Águia Guerreira» chama-se também, perante o registo civil de cidadão americano, o senhor Malies. Que tristeza pensar que o pai do valente caçador de bisões se chamava «Garras de Falcão», e a mãe, «Luar da lua cheia»! Mas o americano é impiedosamente legalista e crismou o nosso amigo com um nome tão prosaico, como poderia ser entre nós, Fernandes, Sousa ou Soares”
A entrevista lá vai decorrendo num misto de francês “americanado” entre lusitano e moicano. Depois de discorrer acerca do exótico colar de dentes de bisonte do chefe guerreiro e este lhe ter explicado por mímica, acompanhada de punhal e gritos inquietantes, que os desdentados animais não ficaram para contar memórias, a consciência política do nosso jornalista desperta. Dispara-lhe então a pergunta fatal: — gosta dos americanos?…
— Gosto mais dos cães!!… — diz sombriamente o sioux com o desprezo a escorrer-lhe dos lábios.
Daqui em diante confirma-se como já na época a cultura europeia possuía um charme a que nem um rijo Pele Vermelha era capaz de resistir.
Diz o índio: Paris encanta-me, mas o porteiro do hotel, quando eu cheguei de madrugada, começou a gritar, de joelhos, que não lhe fizesse mal. Agora já é meu amigo!…
Prossegue o repórter — Começo a procurar um assunto palpitante e lembro-me do Texas Jack da minha infância, dos sacrifícios a Manitú ali descritos e vou falar de religião, da religião deles… Mas por uma espécie de telepatia, o Pele-Vermelha adianta-se ao meu desejo e diz:
— Não volto à América senão mais tarde, para festejar com a família um grande dia…um dia sagrado para mim… O do nascimento do Menino Jesus.
Caio das nuvens!… Então o selvagem fetichista…
— Veneramos muito este dia, como data alegre, assim como, no dia da ressurreição de N. S. Jesus Cristo estamos todo o dia de joelhos, sem tomar alimento… Já meu pai era fervente católico e meu avô também… Só o meu trisavô é que ainda adorava o sol, a lua, as estrelas… Nós não… o que não temos é igrejas. Realizamos as orações ao ar livre, sob as vistas do Senhor!… É melhor…
Estou perplexo e depois dum grande silêncio pergunto-lhe das suas viagens:
—Já dei umas três grandes voltas pela Europa. Conheço a Espanha, a Itália, a Checoslováquia, a Suíça, a Alemanha, a Bélgica, Bulgária, Suécia e Noruega. Agora estou em França. Gosto de Paris… e as parisienses são bem bonitas. De resto todos têm sido amigos para mim…
Acabara a entrevista. Lera-o nos olhos de Águia Guerreira, quando ele falara das parisienses. Era a hora da saída das empregadas dos armazéns…
Oh cinzas de Manitú, oh manes dos grandes chefes Mohicanos.”
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Ilustração Portuguesa , 2º Ano, nº45, Novembro, 1927.
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A Exposição Por Ser de Lá, dos repórteres fotográficos Teotônio Roque e Andrea Gurgel, patente na Livraria Círculo das Letras (Rua Augusto Gil, 15 B, Lisboa), mostra um pouco da mistura da cultura potiguar (do Rio Grande do Norte, Brasil).
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Sob o olhar desta tarde, quantas horas revivem e morrem de uma nova agonia? Velhas feridas se abrem, de novo somos julgados, o que era tudo some-se e num mundo fechado outras vigílias doem. A noite se organiza e, no entanto, ainda restam certas luzes ao longe. Ah, como encher com elas este ser já não-ser que se dissolve e deixa vagos traços na tarde? Emílio Moura
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Like an empty yard (II), de José Pedro Cortes, inaugura dia 5 de Julho, pelas 18:00, no Módulo - Centro Difusor de Arte, Calçada dos Mestres 34a (a Campolide), em Lisboa. Trata-se de um "conjunto de imagens que se foca na relação entre a paisagem urbana, que está distante, e a intimidade das relações pessoais".
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De madeira lilás (ninguém me crê) se fez meu coração. Espécie escassa de cedro, pela cor e porque abriga em seu âmago a morte que o ameaça. Madeira dói?, pergunta quem me vê os braços verdes, os olhos cheios de asas. Por mim responde a luz do amanhecer que recobre de escamas esmaltadas as águas densas que me deram raça e cantam nas raízes do meu ser. No crepúsculo estou da ribanceira entre as estrelas e o chão que me abençoa as nervuras. Já não faz mal que doa meu bravo coração de água e madeira. Thiago de Mello
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É no mínimo bizarra a mensagem política que está implícita num subsídio de maternidade destinado a quem tenha decidido recorrer à Interrupção Voluntária de Gravidez. E se é certo que a leitura detalhada do decreto-lei me permitiu atenuar o choque inicial (o subsídio nesses casos é apenas uma fracção) parece-me que se perdeu uma excelente oportunidade de usar do pudor e de alguma reserva. Era e é possível recorrer a outros instrumentos ao dispôr da mulher debilitada na sua saúde, sem estabelecer preto no branco a relação directa que está na recente lei: o aborto dá direito a subsídio de maternidade.
Dá para perceber a indignação adicional gerada por esta lei, particularmente entre quem se opôs à despanalização da IGV (que não foi o meu caso), mas também entre pelo menos alguns dos que defenderam e defendem a IGV. A fronteira entre isto um subsídio directo e promotor do aborto esbate-se. Era um caminho que se dispensava inteiramente.
Por isso concordo largamente com a opinião pública hoje apresentada pelo MEP.
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Há uma inteligência do corpo que eu descurei, tão inimigos somos. O corpo não é apenas uma figura estética mas também uma entidade orgânica e somática. E tem uma inteligência que eu nem sequer conhecia.
Senão vejamos. As coisas corriam francamente bem quando eu entrei em ameaça de colapso. Literato e «psicologista» , imaginei que fosse uma reacção negativa da mente (ou da «alma» ou do «inconsciente»). Na verdade, era uma reacção benéfica do corpo. Enquanto a «mente» (ou alma ou o inconsciente), embarca em ilusões ideológicas, o corpo reage sempre com pragmatismo. Aquele sinal aparentemente «negativo» era um aviso: «vamos ficar por aqui».
Porque é que o corpo me avisou «vamos ficar por aqui?». O corpo devia procurar a satisfação dos seus instintos e estar mais entusiasmado que apreensivo. Mas o meu corpo detectou (e eu não) algo de semelhante ao «muro dos nadadores». O «muro dos nadadores» é aquele patamar de resistência que o nadador de longo curso não consegue ultrapassar, ainda que acredite que sim. Quando atinge certa distância, há uma barreira invisível que impede que ele prossiga. Não é apenas « cosa mentale»: é a materialização dos seus limites.
Quando eu cheguei ao meu limite, tive um aviso evidente, que achei estúpido ou masoquista. Quando era o contrário disso: inteligente e apostado na auto-defesa. O corpo, no seu funcionamento interno que ignoro e temo, enviou sinais físicos estridentes. Era altura de recuar. Claro que eu podia continuar, se tivesse capacidade para isso (e tive), mas estava avisado: ia ser devorado pelos tubarões.
E depois apareceram os tubarões. [Link]
As pessoas acham que eu invento histórias de taxistas. Mas não invento nadinha. Simplesmente, como ando muito de táxi vou encontrando muitos cromos.
Ontem à noite, passávamos pela Praça de Espanha (e eu caladinho) quando o meu taxista exclama: « Quem, o Chevènement? Fui eu que causei a queda dele».
Há várias coisas curiosas aqui:
1) Ninguém tinha falado em Chevènement (apesar do enganador « quem?»)
2) O meu taxista conhecia (nalgum sentido) o político francês Jean-Pierre Chevènement
3) O taxista estava convencido de que tinha «causado a queda» de Chevènement.
Ainda repliquei, não sei bem porquê: lembrei vagamente as desavenças no PSF e a corrente «soberanista». Mas ele atalhou: «Nada disso. Eu é que causei a queda do Chevènement». Assenti. Senão ele ainda me dizia que tinha escrito Les mots et les choses. [Link]
É esta a cidade onde quer viver? [Link]
Os avatares a semente de girassol que criem mais um blogue ou peçam alojamento às personalidades públicas que por aí andam.
Com sorte, ainda podíamos ver um destes nonós, atrelado ao ombro de um representante da “ingenharia” de esquerda, a dar colorido olfativo a uma qualquer quadratura televisiva.
Até lá, fica aqui o retrato robot do animal.
…………
Nota:
Em menos de uma hora esta alimária conseguiu largar 103 poias. Ficam aí umas bostas para amostra. Estas últimas ainda fediam mais e já incluíam "piropos" a outros bloggers que muito estimamos.
Como o musaranho diz que não lhe pagam para fazer de faxineira, pedimos desculpa aos caros frequentadores habituais do estaminé, mas vamos encerrar os comentários.
zazie
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