Diário RSS
Lista onde se agregam conteúdos de blogues cujos temas reflectem uma grande variedade de temas e estilos. A lista pode sofrer alterações em qualquer altura, sendo a selecção dos blogues incluídos feita pelo editor deste blogue.
Da Literatura » O INTRUSO
A 15 de Junho de 1963 o jornal brasileiro Estado de São Paulo publicou um artigo de Jorge de Sena em homenagem a Aquilino Ribeiro. Aquilino morrera há poucos dias (a 27 de Maio), e o artigo de Sena, deturpado do lado de cá do Atlântico, pôs a Pátria a ranger os dentes: « É sempre perigoso ligarmos à ideia de grandeza de um escritor a ideia de que ele deve reflectir as angústias, as amarguras, os anseios mais dramáticos da humanidade [...] E faz com que ele seja admirado pelas razões erradas, e considerado muito grande por conta daquilo em que se não distingue da prosificação jornalístico-esteticista que tem sido uma das pragas subliterárias da vida portuguesa, contra a qual, em vão, porque as estruturas sociais não se modificaram ainda (e as próximas modificações apenas levarão ao poder público as camadas que disfarçam a sua pequena burguesia pretensiosa sob a capa de ideias pseudo-socialistas), o Modernismo se ergueu.» Para obviar à maledicência, Sena republicou o texto no suplemento Artes & Letras do Diário de Notícias.
Vem o intróito a propósito da morte recente de José Saramago. Saramago é um grande escritor a quem o Meio nunca perdoou não ter sido um dos seus. Não me refiro à condição comunista, detalhe de somenos numa classe (a dos intelectuais orgânicos) que andou com Nuno Bragança ao colo, mas Nuno Bragança era um Caupers de Bragança, ou seja, um descendente da Casa de Lafões. E as Brigadas Revolucionárias tinham a benção do catolicismo progressista. Com Saramago foi diferente, porque Saramago não passou os Verões adolescentes na Praia Grande nem gozou sinecura em Paris à conta da Gulbenkian. Pelo contrário, fez-se homem, serralheiro, jornalista e escritor à custa do seu esforço. Um dia, em 1966, nos Estúdios Cor, tropeçou em Isabel da Nóbrega. Autora laureada, oriunda das boas famílias do Estoril, Isabel da Nóbrega era a mulher de João Gaspar Simões, então o homem mais influente da vida literária portuguesa. Em pouco tempo troca a casa de Cascais por um andar na freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa, onde viverá vinte anos com Saramago.
O Meio não esqueceu a ousadia do intruso.
No auge da Revolução, Saramago é nomeado director-adjunto do Diário de Notícias, cargo que ocupa até 25 de Novembro de 1975. O período corresponde ao lado “negro” da biografia. Como autor, era ainda irrelevante: um romance (em 1947), três volumes de poesia (em 1966, 1970 e 1975), três colectâneas de crónicas (em 1971, 1973 e 1974). O establishment ignorava. Manuel Gusmão encontrou as palavras exactas quando escreveu que ele foi « um escritor que se conquistou a si mesmo, que encontrou a sua maneira em pleno percurso». Não há melhor forma de o dizer.
Manual de Pintura e Caligrafia (1977), o segundo romance, impõe Saramago ao preconceito do jornalismo cultural. Com Viagem a Portugal (1981), encomenda do Círculo de Leitores que lhe permitiu viver exclusivamente da escrita criativa, torna-se um autor best-seller. A consagração crítica chega com Memorial de Convento (1982), embora lhe fugisse o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, instituído nesse ano (só o receberia em 1991). O resto é história. Os obituários do vasto mundo, do New York Times ao Haaretz, dão a medida do eco planetário.
Estive (é maneira de dizer) com Saramago uma única vez. Foi na Primavera de 1992, no lançamento de um romance do Francisco José Viegas. A festa foi no Targus: centenas de pessoas acotovelavam-se na rua e algumas dezenas no interior do bar do Ernâni. Entalado entre um diplomata louco e uma Kristeva psitacista, fui “salvo” pelo autor de O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), que me pôs na mão um Gin Fizz, assim interrompendo o massacre dos dois tontos. Conversa curta e circunstancial. Saramago e Pilar estavam felizes e transmitiam aos outros essa felicidade.
Agora que morreu lembrei-me da afabilidade do seu trato.
[Retrato de Sophie Bassouls, 1991.]
[Link]
A Origem das Espécies » O cantinho do hooligan. Encontros imediatos.
Finalmente. Ontem à tarde, no Porto, um encontro histórico: entre este hooligan e um dos membros da grande academia portista, o excelente Pôncio, co-autor de Pobo do Norte (vale a pena ir ao seu primeiro blog, onde encontrará um arquivo supimpa). Depois da troca de cumprimentos, a agenda (curta, incisiva) ocupou-se da análise político-militar, de questões de estratégia e semântica e ainda da leitura do actual quadro topográfico. Tremei, zoilos! Recuai para o Indostão!
[Link]
Da Literatura » LER 94
Neste número, novidade mesmo é um almoço a realizar em 30 de Outubro, um sábado: pode inscrever-se qualquer pessoa. O ágape terá lugar em cidade e restaurante a definir — isso dependerá do número de inscritos em cada sítio —, podendo os leitores partilhar a refeição com os colunistas da revista.
[Link]
Modus vivendi » O Que É Grave
Quando não se fala inglês, ouvir falar de um bom romance policial inglês que não foi traduzido para alemão. Ver, quando faz calor, uma cerveja que não se pode pagar. Ter um novo pensamento que não se pode embrulhar num verso de Hölderlin como fazem os professores. Em viagem, à noite, ouvir bater as ondas e dizer para si que elas sempre o fazem. Muito grave: ser convidado, quando lá em casa há mais sossego, o café é melhor e não é preciso conversar. O mais grave de tudo: não morrer no Verão, quando tudo é claro e a terra é leve para a enxada. Gottfried Benn, trad. Vasco Graça Moura.
[Link]
Da Literatura » BOCA RATON NO ALTO ALENTEJO
[Link]
Ideias Soltas » Dinu Lipatti – Concerto Piano No 1 de Chopin
Pérola, sim, Dinu Lipatti a interpretar o concerto No. 1 de Chopin op. 11 em mi menor, só em audio, com a Orquestra de Lucerne. Deixo o link directo para quem pretender adicionar aos favoritos do Youtube.

Tags: Chopin, Dinu Lipatti, Música, Música Clássica, Piano, Youtube
[Link]
cocanha » Outra swifteana
Para o CN
For, in reason, all government without the consent of the governed is the very definition of slavery: but in fact, eleven men well armed will certainly subdue one single man in his shirt.
[Link]
Da Literatura » MAPUTO, TAKE 2
Omiti deliberadamente estarem os riots circunscritos às periferias da cidade — daí a dificuldade em aceder ao aeroporto —, deixando incólume a cidade “burguesa”, que podemos situar entre as avenidas Julius Nyerere, Filipe Samuel Magaia, 25 de Setembro e Kenneth Kaunda, bem como, naturalmente o borough governamental ironicamente localizado entre a Mártires de Mueda e Nachingueia. É neste perímetro que ficam as embaixadas, os ministérios, os grandes hotéis, o comércio de qualidade, as escolas e centros culturais estrangeiros, etc. Aqui vivem as classes dirigentes, o corpo diplomático, a maioria dos cooperantes estrangeiros (sendo portugueses cerca de dezoito mil), a classe média e os quadros da Frelimo. Estamos a falar da Baixa, Ponta Vermelha, Polana, Maxaquene, Central, princípio do Sommerschield e da Malhangalene. Quanto me dizem, o bairro da Coop já não escapou. Como sempre, a Matola foi duramente atingida.
O Diário de Notícias transcreve um despacho da Lusa que refere tumultos « na zona da Polana-Caniço, em Maxaquene…» Polana-caniço? Em Maxaquene? Digamos, para evitar comentário queiroziano, que o disparate é deste calibre: Na Lapa-de-lata no Restelo…
Já agora, e porque os media portugueses não têm a mais pequena ideia (nem estão interessados em ter) do que seja a realidade moçambicana — um país com 22 milhões de habitantes —, convém lembrar o óbvio: em Moçambique, o salário mínimo corresponde a 2500 meticais, ou seja, a 55 euros. Não obstante, em Maputo, os bens essenciais são mais caros do que em Lisboa. Falo da cidade de cimento. Nos bairros de Magoanine e Xiquelene (as Covas da Moura e as Buracas de lá) presumo que seja pior.
O ministro moçambicano do Interior, José Pacheco, em resposta aos protestos pelo aumento do preço do pão, sugeriu que o povo coma batata doce. Continuar a seguir, aqui.
[Link]
Modus vivendi » Insane politics
"They say world has not gone to dogs yet. Right. But that dogs in human frame have gone nuts is also true. When minorities in any society become the victim of insane politics, it’s the beginning of decline for the society itself. The hooliganism that minorities face remains the last comment and the ensuing fate of any nation: the very last presentiment." in Greater Kashmir
[Link]
INDÚSTRIAS CULTURAIS » O DIRECTOR PORTUGUÊS DA LACOSTE
A notícia de ontem do Público (Joana Amaral Cardoso) indicava Felipe Oliveira Baptista como novo director criativo da Lacoste nos próximos dois anos. Designer nascido nos Açores, estudou moda em Kingston, universidade de Londres (1997), foi premiado no festival internacional de jovens criadores de Hyères (2002) e pela Association Nationale pour le Développement des Arts de la Mode (2003), teve uma bolsa Louis Vuitton Moet Hennessy (2003), trabalhou com Max Mara, Cerruti e Nike, é apoiado pelo Portugal Fashion, tem a sua própria marca.
Objectivos do designer e director criativo: criar uma silhueta e look mais urbano, menos clássico e menos retro. A Lacoste, fundada por René Lacoste em 1933, é conhecida como a marca de pólos com crocodilos, o logótipo inconfundível da empresa, em especial no domínio do sporstwear. A primeira colecção de Felipe Oliveira Baptista aparecerá em Setembro do próximo ano, na semana da moda de Nova Iorque.
[Link]
Modus vivendi » Émile Levy
Vénus e Cupido
[Link]
cocanha » Progressos civilizacionais # mais qualquer coisa
Completando as reflexões do Monsenhor Birgolino
If a prince sends forces into a nation, where the people are poor and ignorant, he may lawfully put half of them to death, and make slaves of the rest, in order to civilize and reduce them from their barbarous way of living.Jonathan Swift, Gulliver's Travels.
[Link]
A Origem das Espécies » Série Literatura Geral. Emily Brontë.
[Link]
A Origem das Espécies » Série Literatura Geral. James Joyce.
Andy White, «Looking for James Joyce's Grave»
[Sugestão do Carlos C. Carapinha]
[Link]
A Origem das Espécies » Série Literatura Geral. William Blake.
[Link]
cocanha » Surgeons do it better?
Por isso, está aberto concurso público para resolução do problema básico que consiste em nos ensinarem como incorporar este leitor de mp3 (com mudanças de cor que já escolhiemos) e botá-lo no html do Cocanha.
Em troca, o cirurgião informático que resolver o problema tem direito a oferta pirata do dito e mais umas musiquinhas à borla.
Por último, ser-lhe-à atribuído o disputadíssimo galardão
“dedinhos de tubarão” como o que ganhou o mega laureado António por, em tempos, ter feito o rodapé ligeiramente inútil deste estaminé.
[Link]
A Origem das Espécies » Série Literatura Geral. Revisitação da Linguística Estrutural e a Ferdinand de Saussure.
The Magnetic Fields, «The Death of Ferdinand de Saussure»
[Por sugestão do Francisco M. S.]
[Link]
Da Literatura » MAPUTO A FERRO E FOGO
[Link]
A Origem das Espécies » Equivalências.
Esta manhã, pelo menos durante a manhã-manhã, a TSF e a RDP África ocuparam-se dos distúrbios em Maputo, provocados pelo aumento dos combustíveis, pão, transportes, água e electricidade (chegam a 20%, num país em que o salário mínimo é de MTC2,500, cerca de €55). A TSF fez uma boa cobertura, a Antena 1 (estranho, porque os voos da TAP estavam cancelados, etc.) não mencionou o assunto — e a RDP África teve várias intervenções, naturalmente. Curioso, para quem ouve reportagens sobre «distúrbios & motins» na Europa, ouvir dizer, no caso moçambicano, que a polícia lançou gás lacrimogénio diante «das provocações da multidão», que «não se sabe quem está por detrás destas manobras», que «isto está a prejudicar as pessoas que querem ir para casa», que as barricadas estão a «impedir a vida normal», etc. Quando, há cerca de dois anos e por motivos idênticos, houve distúrbios em Maputo, a imprensa referiu de passagem que tinham morrido seis pessoas (na verdade, baleadas). Eram pretos, não é? Gente reaccionária, já se sabe.
[Link]
Da Literatura » O MUNDO EM CIMA DELE
A entrevista foi uma desilusão. Não obstante, Queiroz tem razão num ponto decisivo: ninguém compreende que as decisões da ADoP sejam irrecorríveis. Os deputados que aprovaram a Lei estavam distraídos?
[Link]
Da Literatura » CITAÇÃO, 292
« [...] a acusação mais interessante de todas, porém, é a de que eu teria querido ‘partidarizar’ a manif. não valerá a pena lembrar os acusadores de que não há um único evento deste tipo em que se não elenquem as presenças partidárias — aliás até em enterros e velórios isso se faz: ninguém se terá ainda esquecido da contabilização de presenças e ausências partidárias e institucionais no velório e no enterro de saramago, por exemplo. estranhamente, ninguém se lembrou de acusar os que (todos os jornalistas e comentadores) o fizeram de ‘partidarizar’ a morte do escritor e muito menos de ‘policiar’ ou de ‘espírito pidesco’ ou ‘crónica social’. que ideia, não é? é. [...]»
[Link]
INDÚSTRIAS CULTURAIS » AS MUDANÇAS NA TELEVISÃO PÓS BIG BROTHER
O Big Brother começou no dia 3 de Setembro de 2000, há dez anos, recorda o Diário de Notícias. Lê-se no texto: "Esbateu-se a fronteira entre público e privado, celebrizaram-se anónimos, diminuiu a informação semanal, desenvolveu-se a ficção nacional, melhorou-se a qualidade da produção. [...] Durante quatro meses, 12 concorrentes fechados numa casa e isolados do mundo eram observados 24 horas por dia por 26 câmaras e 48 microfones. Era o Big Brother. Quando se estreou em Portugal, a 3 de Setembro de 2000, apenas oito anos depois do nascimento das privadas e seis após a chegada da televisão por cabo, gerou controvérsia".
Noutro sítio do texto do jornal: "Chegou o dia 2 de Setembro. E 12 anónimos entraram naquela casa construída de propósito ao lado do estúdio da Venda do Pinheiro. Tudo gravado em segredo e emitido no dia seguinte, quase como um falso directo. Que agarrou os portugueses ao ecrã. Entre as 20:50 e as 23:20, a TVI teve em média 1,3 milhões de espectadores, mais cem mil que a SIC, habitual líder".
A notícia conta ainda a história actual dos principais concorrentes do programa, uma das molas impulsionadoras da liderança da TVI, quando José Eduardo Moniz assumiu a direcção geral do canal. A história dos concorrentes do Big Brother dava uma novela, a avaliar pelos encontros e desencontros com a vida.
[Link]
Modus vivendi » Lucien Lévy-Dhurmer
retrato de Mademoiselle Carlier, em 1910
[Link]
Modus vivendi » Árvore sob céu azul
Com rosto indiferente e ar de pouco caso, saúdo as madrugadas, os ocasos Árvore, hei-de olhar, com mirada isenta o céu azul ou a fúria da tormenta. A vida, digo, é féretro no qual dor, alegria do homem têm o seu final. Kóstas Karyotákis,trad. José Paulo Pais
[Link]
A Origem das Espécies » Série Literatura Geral. Artaud.
[Link]
INDÚSTRIAS CULTURAIS » SORRIR MESMO QUE SEM DENTE
- Entre as atrações de outros estados estará o grupo Chão de São Paulo com a peça Ruas de Barros, o grupo Os Viralata de Cuiabá, com o espetáculo Os Viralata cantam Manoel de Barros. De Cuiabá também vem Cia de Arte Negus, com a peça Mímesis e de Campo Grande a Arte Riso Cia de Animação com dois espetáculos: De médico e lobo todo mundo tem um pouco e Manual de Barros, Desnudos Del Nombre com o espetaculo: QUEM DESMAFAGAFAR BOM MAROMBATEIRO SERÁ. De Dourados vem o TUDM Teatro Universitário de Dourados.A música terá o Chalana de Prata, a Orquestra Revoada Pantaneira, a banda Haiwana e o cantor gaúcho Felipe Catto, que vem fazendo muito sucesso principalmente na Internet. Os filmes sobre o poeta serão Caramujo-flor, de Joel Pizzini (1988), Wenceslau e a àrvore do gramofone, de Adalberto Muller (2008) e Só dez por cento é verdade, de Pedro Cézar (2008). O jornalista Marco Antonio de Rezende ministrará palestra sobre a boa escrita e a organizadora do FLIP, Alice Penna, frá uma mesa surpresa sobre o poeta (Sorrir mesmo que sem dente, de Driely Alves).
Driely Alves tornou-se recente seguidora deste blogue. Procurei saber alguma coisa sobre ela, o que os recursos cada vez maiores da internet nos permitem. Ela tem um blogue singular, feito de uma grande amizade pelo que faz. Copiei uma mensagem que escreveu em 10 de Janeiro de 2010 , o que significa que o acontecimento a que se refere já se realizou. Passei para aqui igualmente uma imagem, de igual generosidade e poesia. Noto também como os corpos, os de todos nós, são frágeis e graciosos ao mesmo tempo. Haver quem anime a vida dos outros – contando histórias ou tecendo personagens que nos fazem rir e chorar – é uma actividade tão meritória!
[Link]
Modus vivendi » Lucas Cranach o Velho
Dr. Johannes Cuspinian, em 1502
[Link]
A Origem das Espécies » Portugal visto do centro da Europa.
Luís Naves é uma das pessoas que melhor conhece a Mittleuropa. Leiam o texto que começa por aí mesmo.
[Link]
Da Literatura » A QUADRATURA
Talvez tivesse o mérito de clarificar a situação. Os apelos ao presidencialismo sem concessões são sinceros? Então, a direita devia candidatar Medina Carreira em vez de encostar-se a Cavaco Silva. O Presidente da República não vetou um único diploma dos governos de Sócrates (os poucos vetos foram para diplomas da Assembleia da República). Mas para candidatar Medina Carreira era preciso ter tomates, coisa que a direita portuguesa manifestamente não tem. A direita não quer medidas, muito menos as de Medina Carreira. A direita borrifa-se para o endividamento externo, o défice, o caos da justiça, o desemprego, etc. A direita quer poleiro, e substituir o pessoal que está pelo pessoal a haver.
O tabu de Cavaco dá a medida da tradição monárquica da nossa Presidência. A menos de cinco meses das eleições, nenhum candidato (nenhum!) discute o país que quer. Dois terços da direita disposta a votar Cavaco vai a jogo contrariada. Cavaco faz tudo ao contrário do que a direita pretende que ele faça. (Derrapou no epidódio das escutas, imbróglio que num país de cultura anglo-saxónica teria levado à sua demissão.) A direita não o quer, mas não arranja outro. Paulo Teixeira Pinto, presidente da Causa Real, seria uma contradição nos termos, porém coerente com o projecto de revisão constitucional do PSD. Santana Lopes provocaria um coro de gargalhadas no país. António Barreto não lhes passa cartão. Bagão Félix, hipótese plausível, hesita. A isto chama-se quadratura do círculo.
[Link]
A Origem das Espécies » Acasos, 37.
[Link]
french kissin' » …
leio por aí que o terceiro disco dos arcade fire é uma treta. as revistas da especialidade dividem-se entre o medíocre e o bom. na verdade, ao segundo disco, os canadianos já estavam esgotados.
[Link]
A Origem das Espécies » Obrigados.
Ao Miguel e ao Afonso (ena, Afonso, e logo a Ínsua, logo um dos vértices do meu polígono estratégico).
[Link]
INDÚSTRIAS CULTURAIS » IR E REGRESSAR
"Voltar para é também regressar de" (M. Onfray, 2009, Teoria da viagem, p. 99).
[Link]
A Origem das Espécies » Nanny state.
Eu, por acaso, tenho dúvidas. Há, evidentemente, um aspecto importante: o da intromissão do Estado na esfera da vida familiar, retirando as crianças à «tutela» dos pais, uma medida extrema que os pedagogos do Estado gostam sempre de exibir para anunciar o seu poder e o seu alto discernimento. Acontece que essa «tutela» é exercida sobre crianças, que não são parte igual numa relação familar. Ao verificar-se uma situação de maus tratos, as autoridades têm o dever de intervir; o fomento da obesidade pode ser considerado mau trato. Os modernos pedagogos do Estado apreciam muito matérias como educação alimentar ou sexual – mas gostava de vê-los actuar em situações de fome real, violência e abandono. Basta, para isso, ir às escolas nos arredores de Lisboa e Porto, onde é fácil fazer o recenseamento de crianças sem pequeno-almoço e almoço, ou com pais que não existem, pura e simplesmente (vestem a mesma roupa ao longo da semana, não fazem os trabalhos de casa, estão doentes sem saber, ou estão doentes mas não são tratados, por ignorância ou desleixo familiar). A obesidade assusta; é feia; é uma doença social; esteticamente pode ser repulsiva. Parte do trabalho podia, em muitos casos, ser feito na escola (mais uma tarefa dos professores — alguns já a cumprem sem serem «enquadrados» pelas autoridades). Mas há aqui outro problema, o da licença de uso e porte de criança e o da adolescentização progressiva de alguns pais. Tenho dúvidas sobre isso.
[Link]
INDÚSTRIAS CULTURAIS » TEORIA DA VIAGEM
“Em que momento começa realmente a viagem? A vontade, o desejo, é claro, a leitura, tudo isso define o projecto, mas a viagem em si, quando a podemos dar por iniciada? [...] existe um momento singular, identificável, uma data de nascimento óbvia, um gesto que assinala o início: o gesto da chave na fechadura da porta do nosso domicílio, quando damos a volta à chave e deixamos para trás a casa, o nosso porto de abrigo" (p. 37).
“Depois do tempo ascendente do desejo e do tempo excitante do acontecimento, chega o tempo descendente do regresso. [...] um exercício perpétuo de nomadismo far-nos-ia sair dos limites da viagem arrastando-nos para a permanente errância, para a vadiagem. [...] Para além do mais, o regresso ao domicílio imprime um sentido, o seu sentido, ao nomadismo – e vice-versa. A alternância entre partidas e chegadas possibilita uma verdadeira definição do habitar tão caro a Heidegger" (pp. 93-94).
Leitura: Michel Onfray (2009). Teoria da viagem. Lisboa: Quetzal
[Cluny, 2006]
[Lisboa, 2010]
[Link]
- About the RSS Aggregator
















Comments on this entry are closed.