A minha primeira experiência com a propaganda que me lembro (para além dos livros de leitura do Estado Novo, que tinhamos de utilizar todos os dias) foi durante o período 1974/75 através das sessões de esclarecimento liceal de alguns grupos maoistas (não me lembro quais, havia uma profusão deles na época). Lembro-me de uma em especial, não só por causa do poster que colaram na sala, como também por causa dos disco de cânticos revolucionários (presumo que fossem porque a capa era semelhante ao cartaz) que puseram a tocar no fim.
O carácter irrealista da propaganda sempre me fascinou, mas agora que já passou a época em que se levava isto a sério, e também aquela em que se tinha vergonha da primeira, chegámos à época em que estes posters ganham um certo cunho de imortalidade através de estudos e de livros como estes. Desligadas da sua função inicial, vivem agora como “collector’s items”. Só é pena que os criadores não beneficiem em nada de todo este interesse actual.
Foto: Mário Pires - Retorta.Net
Segunda à noite fui ao CCB ver o concerto de Anoushka Shankar. O meu gosto pela música indiana já vem de longe desde que a ela fui introduzido através da faixa “Love You too” do album dos Beatles Revolver.
Anoushka Shankar e o seu grupo tocaram durante hora e meia, música que tanto deve à tradição indiana como ocidental, música essa que me proporcionou muito prazer auditivo.
Por circunstâncias que não são para aqui chamadas, fui ao primeiro dia do Festival Rock in Rio 2008 no Parque da Bela Vista. Não tinha ido a nenhuma das edições anteriores, e pelo que vi, a não ser que algum músico que lá vá me suscite uma necessidade muito imperiosa de o fotografar, não prevejo ir a mais nenhuma edição.
Aquilo é mais uma junção de centro comercial ao ar livre com enxertos de feira popular “high tech” do que um festival de música (com a falha grave de não ter visto farturas à venda). Ok, o conceito tem muita aceitação porque as pessoas enchem o recinto e têm pena que dure tão poucos dias, mas para quem entende a música como o mais importante de um festival, o parque da Bela Vista parece um local estranho. Nas horas em que por lá andei, pus-me a pensar que por aquelas bandas não se sentia que Portugal estivesse em crise, porque toda a gente andava por lá feliz a consumir a torto e a direito. Dos concertos desse dia apenas vi (mais através dos ecrans do que a olho nú) os concertos de Amy Winehouse e de Leny Kravitz.
Em relação a Amy, nem posso chamar ao que se passou um concerto, já que a voz dela se arrastava penosamente entre as notas que o seu grupo produzia, e ela não parecia em melhor estado que a voz. No cover de “A message to you Rudi” dos Specials até me pareceu que não cantou (não estragando dessa forma a muito boa prestação dos seus músicos). Depois desta experiência penosa, o Lenny Kravitz deve ter achado que não era má ideia animar a malta e ajudado por um som tonitruante(embora com agúdos a mais), pôs toda a gente bem disposta.
Apesar deste tom um pouco negativista não dei por mal empregue a noite, foi uma experiência que me permitiu vivenciar outros universos diferentes do meu e isso é sempre útil.