Discos Importantes - Uma lista pessoal VII

Luis Cilia - Cancioneiro

luis_cilia_cancioneiro

Luis Cilia bem pode ter uma carreira que vem desde a década de 70, que hoje em dia raros serão os que reconhecem o seu nome. Não encontro reedição dos seus discos em vinil, e mesmo os que já fez no formato de CD não são presença comum nas lojas.

Este disco, editado em 1982, è uma regravação parcial de “O Guerrilheiro” de 1974, um disco onde Luis Cilia canta romances e canções que vão do século XIII ao século XIX, recolhidas na biblioteca da Fundação Gulbenkian de Paris.

“O Guerrilheiro” terá sido o primeiro disco a visitar o nosso património músical, antecipando os grupos de recolha, tanto no tempo, como nas fontes consultadas. A regravação apenas incidiu sobre as partes vocais, já que o suporte instrumental de Bernard Pierrot e do seu grupo de música antiga não foi alterado.

Tenho outros LP’s de Luis Cilia, mas este continua a ser aquele que ouço com mais prazer, quanto mais não seja por ter sido o primeiro que me fez entusiasmar pela música antiga, entusiasmo esse que desde aí só foi crescendo.

A música que recupero deste disco, é uma variação de um romance antigo, apesar da simplicidade das palavras utilizadas é a prova que a sabedoria dos antigos não perde validade.

O Conde Nino (Romance recolhido no séc. XIX)

O Conde Nino

Vai o Conde, Conde Nino
Seu cavalo vai banhar,
Enquanto o cavalo bebe
Cantou um lindo cantar.

- Bebe, bebe meu cavalo
Que Deus te há-de livrar
Das desgraças deste mundo
Dos trabalhos d’além mar.

- Acorde oh! linda princesa
Ouve tão doce cantar:
Ou são os anjos do céu
Ou a sereia do mar.

- Não são os anjos do céu
Nem a sereia no mar:
É o Conde, Conde Nino
Que contigo quer casar.

Palavras não eram ditas
El-rei de lá a bradar:
- Se ele quer casar contigo
Vou mandá-lo já matar.

Quando lhe deres a morte
Manda-me a mim degolar
Que me enterrem mais a ele
Ambos ao pé do altar.

Morreu um e morreu outro
Foram ambos a enterrar:
De um nasceu um pinheirinho
E do outro um pinheiral.

Cresceu um, cresceram outros
As pontas foram juntar,
Ia o rei para sair
Não no deixaram passar.

O rei então de zangado
Logo os mandava cortar.
Dum correram águas claras
Do outro sangue real.

Num apareceu uma pomba
No outro um pombo trocal.
Estava el rei em palácio
No ombro lhe iam poisar.

-Mal hajam tanto querer
E mal haja tanto amar.
Nem na vida nem na morte
Eu os pude separar.

6 Responses to “Discos Importantes - Uma lista pessoal VII”


  1. 1 Eye of the tiger May 31st, 2004 at 4:46 pm

    Um ganda som!!!

  2. 2 Eye of the tiger May 31st, 2004 at 4:46 pm

    Um ganda som!!!

  3. 3 Soledade May 31st, 2004 at 11:53 pm

    Olha, eu dava, eu dava não sei o quê, para recuperar o “Guerrilheiro”, do Cília. Ainda consigo cantarolar, de memória, a maioria das canções; e tenho, por outras vias, a maioria dos poemas. Mas não consigo reproduzir, no disco rígido da memória, a canção do anarquista, e isso

  4. 4 Mário Jun 1st, 2004 at 9:19 am

    Soledade, este Cancioneiro é igual, não me custa nada passar as músicas para cd ;)

  5. 5 miguel Jun 3rd, 2004 at 12:32 am

    obrigado.

  6. 6 leonardo verde Jul 10th, 2006 at 10:51 am

    Consultem este site : agcolosdrealebtejo.pt lá encontrarão a obra discografica completa de Luís Cília. Note-se que há uma reedição discográfica da sua obra em França.

Leave a Reply




RetortaMobile