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I always liked to read. There were not, in my time (in my house) too many ways of entertainment, television used to start at 6 p.m. and the programming was too poor (exception made to Vasco Granja, of course). I’m from 68. So reading was my escape. I started early and quickly dispatched what was considered the appropriate literature for my age: the Famous Five, the Secret Seven, the Twins at St. Claire’s, Tintin, Asterix, well … the usual. At my home there have always been many books. Everything. Encyclopaedias, novels, biographies, murder and mystery, the entire collection of Mosquito and other magazines. That’s how I met Prince Valiant, for example, another long time love. I devoured all kinds of books. I remember when I was around 10 years old, i snatched Zola’s The Tavern and read it in two afternoons. I only got what I could, of course, and when I read it again years later, it was a different book, or maybe the difference was in me. In my home comics were considered literature, equal to any other. Never was in the background, or considered minor. But there was age division. There was clearly the comics that were to everybody (such as Tintin or Asterix, although some books are in French), and then there was Blake and Mortimer. We had the complete collection, and I read them all, as soon as I found them. And then I read them again and again, always going back them, recurrently. The Yellow M and The Atlantis Mystery were in the first place of the podium. I left home and the books were left behind. Many years later, in one of the editions of the Amadora Comics Festival, I discovered a special edition of the collection, and bought it all. At least all those written by the original author, because I’m not a big fan of substitutes. I reread The Yellow M (and all the others, of course), and I still like it. Maybe it is a bit dated, and sometimes they describe situations that are considered, today politically incorrect, to put it gently. I like it, but something was lost. But I like it, and I realized that it is not because of the story, or how it is written or drawn. I like it because it makes me go back to a period of my life when everything was white and black. No greyscales. The certainties of being 12 years old. It was my first adolescent great literary love, The Yellow M. It is impossible, from so many books that I’ve read and enjoyed, to choose the one book. It depends on so many different things. So the choice falls on The Yellow M, not because it was the first (it was not), not because it is the best (it is not), but because it reminds me a time when happiness was made of things so ridiculously simple.
Sempre gostei de ler. Não havia, no meu tempo (em minha casa) grandes formas de entretenimento, a televisão começava às 6 da tarde e a programação era paupérrima (excepção feita ao Vasco Granja, claro). Sou de 68. A leitura era o meu escape. Comecei cedo e rapidamente despachei aquela que era considerada a literatura apropriada para a minha idade. Os cinco, os sete, os nove, as gémeas, tintin, astérix, enfim….o habitual. Em minha casa sempre houve muitos livros. De tudo. Enciclopédias, romances, biografias, policiais, colecções inteiras de mosquito e outras publicações periódicas. Foi assim que conheci o Príncipe Valente, por exemplo, outro amor de longa data. Devorava tudo o que havia. Lembro-me de ter à volta dos 10 anos, quando apanhei A Taberna, do Zola. Marchou em duas tardes. Percebi o que deu para perceber, reli-o mais, tarde, era um livro diferente, ou não, provavelmente a diferença estava em mim. A banda desenhada era literatura igual à outra, lá em casa. Nunca esteve em segundo plano, nem nunca foi considerada menor.  Mas havia divisão de idades. Havia claramente a banda desenhada que era para todos (como o Astérix ou o Tintin – apesar de alguns livros estarem em francês), e depois havia Blake and Mortimer. Tínhamos a colecção completa, e marchou tudo, assim que os descobri. E depois reli, e treli, e eram livros a que regressava, recorrentemente. A Marca Amarela e o Enigma de Atlântida a revezarem-se no primeiro lugar do pódio. Saí de casa, os livros ficaram, e deixei de lhes ter acesso. Anos, muitos anos mais tarde, numa das edições do Festival de Banda Desenhada da Amadora, descubro uma edição especial da colecção, e compro todos. Todos os que foram escritos pelo autor original, que eu sou pouco de alinhar em sucedâneos. Reli a Marca Amarela (e todos os outros, evidentemente), e continuo a gostar. É literatura muito datada, descreve por vezes situações que hoje são, para ser simpática, politicamente incorrectas. Gosto, mas perdeu qualquer coisa. Gosto, e percebo que não é por causa da história, ou da forma como está escrita ou desenhada. Gosto, porque me faz regressar a um período da minha vida em que tudo era branco e preto. Nada de cinzentos. Enfim, as certezas dos 12 anos. Foi o meu primeiro grande amor literário de adolescente, a Marca Amarela. É impossível, no meio de tanta coisa que já li e de que gostei muito, eleger “O” livro. Depende de tanta coisa diferente. Recai a escolha na Marca Amarela, não por ter sido o primeiro (que não foi), não por ter sido o melhor (que não é), mas porque me relembra um tempo em que a felicidade era feita de coisas absurdamente simples.
Maria João Nogueira – December 30, 2011

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