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I was told that my first attempts on reading have been when I was about two years old. And that I was tremendously annoyed when someone turned the book, to put right. I wanted to read the book upside down and starting backwards. I think I was already trying to see books out of convention and to used them differently from the usual.

And it is also from that same time that they tell me that – now I’ll quote them all – “I am desperately looking for the story of the books in the history of life”. I do not know very well what that means, much less when they talk about despair. But I know that I approached a little bit to that feeling when I read The Shadow of The Wind.

The book was on a to-read list, after many recommendations, and one day someone lend it to me. I am very careful about books, especially when there are not mine: I read it very gently, as I never read any other. I won him a lot of respect, because it is never easy to write a book about books. Yes, that is what it is about. A book about books that somehow mixes the stories of books with the stories of life. Or the other way around. I don’t know, even today I can not distinguish them.

I don’t like love stories. Not those in which we read the beginning and we can guess the finish. But when the story is about the love for books, then they have me tied up to the last letter. And that’s what happened with The Shadow of The Wind. The love story of the book goes hand in hand with a dark story of terror. Tell me if there is something else that looks more like life. I think not.

Dizem-me que as minhas primeiras tentativas de leitura foram por volta dos dois anos. E que ficava tremendamente irritada quando me viravam o livro, para o porem direito. Eu queria ler o livro ao contrário e começando de trás para a frente. Acho que já aí procurava ver os livros fora da convenção e do uso que lhes tinham estabelecido à partida.

E é também desde essa altura que me dizem que – agora vou citá-los a todos–«procuro desesperadamente a história dos livros na história da vida». Não sei muito bem o que querem dizer com isso, muito menos quando falam em desespero. Mas sei que me aproximei um bocadinho dessa sensação quando li «A Sombra do Vento».

Constava da lista dos que deviam ser lidos, depois de muitas recomendações e um dia veio parar-me às mãos, emprestado. Tenho muito cuidado com os livros, ainda para mais quando não são meus: li-o de uma forma extremamente delicada, como nunca li mais nenhum outro. Ganhei-lhe um respeito enorme, porque nunca é fácil escrever um livro sobre livros. Sim, é disso que se trata. De um livro sobre livros que, de algum modo, mistura «a história dos livros com a história da vida». Ou ao contrário. Não sei, ainda hoje não as consigo distinguir.

Não gosto de histórias de amor. Não daquelas em que lemos o início e adivinhamos prontamente o fim. Mas quando a história é sobre o amor aos livros, então têm-me presa até à última letra. E foi assim, efectivamente, com «A Sombra do Vento». A história de amor do livro anda de mãos dadas com uma história sombria, de terror.

Digam-me se há alguma coisa mais parecida com a vida. Eu acho que não.

Rita da Nova – January 15, 2012

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