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How to choose the book of a lifetime? They are so many, it depends on it’s content, of what it teaches us, the time of our life in which we read it …I don’t know how many books I’ve read in my whole life, I don’t count them. Many left marks, others that I do not even remember that they were about. Since I can remember I always carry a book with me, I know it is a bit of a cliché but reading is almost like breathing. I have gone through the classics, through modern and postmodern, through the hilarious and sometimes through the cumbersome ones, through the dramatics and the light ones.

I read for the first time (and second … and third …) Meu Pé de Laranja Lima when I was 10 years old. My grandmother gave it to me, she (along with my parents) has the major guilt for this healthy vice of mine. The Enid, the Sophia and Berthe were already more then read, Alice hadn’t arrived  yet, but Odette was still there. But José Mauro de Vasconcelos was like a slap, I made contact with a reality that I did not know, of which I had heard about but was to immature to understand: poverty. I loved the tenderness that comes out throughout the book, the love, the friendship. Interestingly it was written in the year of my birth. I do not know for sure if it really is the book of my life, but I know that it deeply marked the end of my childhood and I almost dare to say, that it shaped me as an adult.

Como escolher um livro de uma vida? Eles são tantos, depende do seu contéudo, do que nos ensina, da altura da nossa vida em que o lêmos…Não sei quantos livros já li em toda a minha vida, não os contabilizo. Houve muitos que foram passando, que foram deixando as suas marcas cicatrizes, outros que já nem me lembro do que tratam.

Desde que me lembro que tenho sempre um livro comigo, não querendo cair num lugar comum, é como respirar. Já me passeei pelos clássicos, pelos modernos e pós-modernos, pelos hilariantes e pelos enfadonhos, os dramáticos e os levezinhos.

Li pela primeira (e segunda…e terceira…) vez ‘O Meu Pé de Laranja Lima’ aos 10 anos. Foi-me oferecido pela minha avó, que (juntamente com os meus pais) é a grande culpada deste meu salutar vício. A Enid, a Sophia e a Berthe já estavam mais que relidas, a Alice ainda não tinha chegado lá a casa e a Odette por lá andava ainda. Mas José Mauro de Vasconcelos foi como uma bofetada, dei-me conta de uma realidade que desconhecia, ouvia falar mas não tinha decerto a maturidade para a entender: a pobreza. E adorei a ternura que transparece em todo o livro, o amor, a amizade. Curiosamente foi escrito no ano do meu nascimento. Não sei se será efectivamente o livro da minha vida, mas sei que marcou profundamente o fim da minha infância e quase me atrevo a dizer, moldou-me como adulta.

Ana Melo – January 6, 2012

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