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I’m portuguese. Academic trained as a literary. And an historian of the instant because its my personal flaw and because i follow my own words as i write them. Picturing society of today in a book may seem common. But with João Aguiar the words get their life from the reader itself. It enlightens even the most unaware of readers. Because reading helps to transcend the line of everyday life, and with Solitão Fernandes, the character of this book, each new line can be mine, yours, everyone’s life. Sailing there we all do. But lonely and aware i’m not so sure.

Joao Aguiar’s lonely sailor came to my teenage years in a key point. I ate books. I would go through each new page to occupy the time and the will to go from then and there. And i clang to solitude, a youngster just as me and far from the reality  the world would like to impose on him. He did what was asked of him. Ate frogs and grew from each blow the life would give him. Grew with love and with sour and became the men that none thought he could be. Not even me who ate each page in a single breath. Many and more times i re-read it. Because, The history is the same but the feelings, those, those would change with each new reading. I sailed lonely myself. Between the lines i lived also a reality that could be my own and i even wanted it. I read the classic latin given to me. And not even João Aguiar cared, i’m sure. I offered it to some friends, other portuguese words eaters. Because what is good is to be shared, i gave it. Always!

Sou Portuguesa. Literária por formação académica. E Historiadora do Instante por defeito próprio, por ter ainda acompanhado o latim das palavras que escrevo. Retratar a sociedade contemporânea ao longo de um livro parece uma ideia banal. Mas com João Aguiar as palavras ganham sempre a vida de quem as lê. E esclarece até os mais escurecidos leitores de pequenas distracções. Porque ler ajuda a passar a linha ténue do quotidiano e com o Solitão Fernandes, “o personagem” deste romance, cada nova linha ganha a característica de poder ser a minha, a tua, a nossa história de vida. Navegar por ai navegamos todos. Mas solitários e conscientes, disso já não tenho tanta certeza. O Navegador Solitário de João Aguiar apareceu na minha adolescência numa altura chave. Devorava pilha de livros. Revirava cada nova página para ocupar tempo e vontades de sair “daqui e dali”. E apeguei-me ao Solitão, jovem como eu e deslocado da realidade que lhe queriam impôs. Fez o que lhe pediram. Engoliu sapos e cresceu com as pancadas da vida. Cresceu com amores e dissabores e tornou-se um Homem que nunca ninguém pensou que viria a ser. Nem eu, que devorei cada página com um único fôlego. Foram muitas as vezes as inúmeras outras vezes em que o reli. Porque a história é a mesma mas os sentimentos, esses, mudaram sempre nas novas leituras. Naveguei solitária também. Porque nas entrelinhas vivi também uma realidade que podia ser a minha e até a queria. Classicamente devorei o latim que me foi dado. E nem João Aguiar se importou, decerto. Ofereci-o a outros amigos, a outros devoradores de palavras em português. Porque o que é bom, para além de se partilhar, oferece-se. Sempre!

Vanessa Quitério – March 9, 2012

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