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I chose a poet. My poet. The poet of so many who love the portuguese language. In the early ‘90s, I discovered Eugénio de Andrade. It must be it´s connection to the sea and to the land that conquers and inebriates those who read it. When I left my parents’ house, I spent my first nights painting the walls with poems from Eugénio de Andrade. Nowadays my enthusiasm for his words is more modest and private. Eugénio de Andrade used our language gently, intensely, casually. He spoke about passion, about loneliness, and of our country using words like ‘hands’, ‘fruit’, ‘teeth’, and he did it in a sublime way. He recreated new meanings for these words and used them in all their purity and rawness.

I could not choose another. This is my favorite book: a compilation of some of his essential works. The poems of Eugénio are my ‘headwaters of silence’, feeding a stream of thought, exulting our language. To speak, to write, to think, to suffer, to love in portuguese is good … Eugénio did it well and honestly. Each poem discovered in this book is a journey. Identification with the words is easy and natural. We stroll through the Alentejo, the streets of Porto or by the body of another one and we recognize these places, these moments, these smells. The words of Eugenio de Andrade are familiar, surprising but reassuring.

Eugénio used to say that ‘we go through things without really seeing them’. I was not indifferent to his work and I hope that whoever does not have the pleasure to know it, can discover in his poetry moments of empathy and identification.


Escolhi um poeta. O meu poeta. O poeta de tantos que amam a língua portuguesa.
No início dos anos 90, descobri Eugénio de Andrade. Deve ser esta ligação ao mar e à terra que conquista e inebria quem o lê. Quando saí de casa dos meus pais, passei as minhas primeiras noites a pintar as paredes com poemas de Eugénio de Andrade. Hoje o entusiasmo pelas suas palavras é mais recatado e privado. Eugénio de Andrade usou a nossa língua delicadamente, intensamente, despreocupadamente. Falou de paixão, de solidão, do nosso país usando palavras como ‘mãos’, ‘frutos’, ‘dentes’; e fê-lo de um modo sublime. Recriou novos significados para estas palavras e usou-as com toda a sua pureza e crueza.
Não podia escolher outro. Este é o meu livro favorito: uma compilação de algumas das suas obras essenciais. Os poemas de Eugénio são os meus ‘afluentes do silêncio’, alimentam um rio de reflexão, exultando a nossa língua. Falar, escrever, pensar, sofrer, amar em português é bom… Eugénio fê-lo bem e honestamente. Cada poema que se descobre neste livro é uma viagem. A identificação com as palavras é fácil e natural. Passeamos pelo Alentejo, pelas ruas do Porto ou pelo corpo do outro e reconhecemos estes lugares, estes momentos, estes cheiros.
As palavras de Eugénio de Andrade são familiares, surpreendem mas aconchegam. Eugénio dizia que ‘Passamos pelas coisas sem as ver’, eu não passei indiferente à sua obra e espero que quem ainda não tem o prazer de conhecer, descubra na sua poesia momentos únicos de empatia e identificação.
Sandra Gaspar – June 28, 2012

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