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Memories of my melancholy whores

I’m not a preference person. I can’t name my favourite musician, my favourite book, my most cherished painter. I know which are my favourite painters, and that some authors never disappoint me. But having to make a choice and pick one, just one, seemed like a critical challenge. So being part of a project in which I had to choose ‘the book of my life’ was somewhat contradictory. I tried to pick a writer… but it’s hard between Saramago and García Márquez. I tried to think of the book that marked me the most… useless. After all, different books mark different moments of our lives. When I read the recent news about the demential condition of García Márquez, I knew which author I ‘had’ to pick. When I started writing this text, I knew which book I had to highlight. I am a passionate woman, who cries easily, but rational and raw. I believe in falling in love with an image, in being charmed by a physique and in the simplicity and vicinity between such different feelings as passion and love. Memories of my melancholy whores is a most beautiful love story. The book’s crude title is a stark contrast with the whole story’s romantic depth. This book tells of the story of an old journalist and music critic who, when reaching his 90th birthday, decides to offer himself a night of wild love with a virgin adolescent. Throughout the story, the old man falls in love with the young woman he was never brave enough to wake up. It is a particularly well written novel that makes us think about such different themes as old age and passion.


Memórias das minhas putas tristes

Não sou pessoa de preferências. Não consigo nomear o músico preferido, o livro predilecto ou  o pintor de eleição. Sei quais são os meus pintores preferidos, sei que autores nunca me desiludem. Mas ter de fazer uma qualquer eleição e escolher um, só um, adivinhava-se um desafio crítico. Assim, meter-me num projecto em que tinha de escolher o livro “da minha vida” era um tudo nada contraditório. Tentei filtrar por escritor… mas entre Saramago e Garcia Marquez é difícil. Tentei pensar no livro que mais me marcou… em vão. Afinal, livros distintos marcam-nos em instantes distintos da vida. Quando li a mais recente notícia sobre o estado de demência de Garcia Marquez soube que autor “tinha” de escolher. Quando comecei a escrever este texto, soube que livro tinha de distinguir. Eu sou uma mulher de amores, de choro fácil mas racional e crua. Acredito no enamoramento por uma imagem, no encantamento pelo físico e na simplicidade e proximidade entre sentimentos não tão divergentes como a paixão e o amor.
Memórias das minhas putas tristes é uma belíssima história de amor. O título agreste do livro contrasta claramente com a profundidade romântica de toda a história. Este livro narra o enamoramento de um velho jornalista e crítico musical que, aquando o seu aniversário dos 90 anos, decide presentear-se a si próprio com uma noite de amor selvagem com uma adolescente virgem. Nos meandros da história, o velho apaixona-se pela jovem que nunca chegou a ter coragem de acordar. É um romance particularmente bem escrito que nos faz reflectir sobre dois temas tão distintos e profundos como a velhice e a paixão.
Vanessa Marchante, July 15, 2012

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