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Wuthering Heights

I can’t really tell my right age when I read this book for the first time, I think I was 15/16 years old. I remeber walking along the school halls completly sleepy for staying awake until 2 or 3 in the morning reading it. The books have an almost magical ability to arrest us inside them until we turn the last page. Throughout that week I felt that I too was one of the inhabitants d ‘Wuthering Heights and was so madly in love with Heathcliff and Cathy herself. I think that was the first work, artistic or literary, with which I identified completely. The landscapes described by Emily were the places I wanted to visit, places where I felt I belonged. The house at the top of the hill, moorland, hills, wind, dryness and restlessness typical of a nature that awaits a permanent storm. The isolated and desolate places, still feel it’s where I belong and Wuthering Heights became somehow the ultimate expression of that peculiar feeling of those who love the cliffs, rocks, seas and loneliness.

The love story between Heathcliff and Cathy will haunt me forever. Between me and my classmates at the time, with whom I shared the discovery of this book, it created a kind of myth around the character of Heathcliff. The man with all defects and some more but redeems himself by his unconditional love for Cathy. A love as true as sickly, a love that destroys everything it touches. I think we all  have created this illusion of, one day, having someone that would love us forever. “Forever,” the word we learned in fairy tales and who wins here very dark and violent contours. Wuthering Heights is not a “fairy tale” book, is not an easy book, is rude as the landscape it describes, is visceral and turbulent. It is a book about two people who belong together but at some point break the ties that bind them and fail to get understood. I think this is also one of the reasons why the book had me in such a big impact. There is a kind of Romeo and Juliet in which the two lovers are separated by misfortune, by fate. Here the separation occurs by interference from the outside, by desire to discover other things, other people, misunderstandings, jealousy, revenge and, ultimately, by the will of both.

Because misery and degradation, and death, and nothing God or Satan That Could inflict would have parted us, you, of your own will, did it. I have not broken your heart-you have broken it, and in breaking it, you have broken mine.

When you have 15/16 years you don’t understand that, you do not understand why they can not be together when still like each other. Do not have the reasons, the causes, the impossibilities, it is believed that love can do everything, all wins.

My love for Linton is like the foliage in the woods: time will change it, I’m well aware, the winter changes the trees. My love for Heathcliff resembles the eternal rocks beneath: a source of little visible delight, but necessary. Nelly, I am Healthcliff! He’s always, always in my mind: not as a pleasure, any more than I am always a pleasure to myself, but to my own being.

Apart from identification with the landscape and somehow caught the temper of both characters, this book disturbed me greatly. I’ve used this word before but I think that is correct, haunted me. I could write all day about it, about all the emotions that I raised, about how the interpretation of history is changing over the years, but I think the bulk says. If I had to give something of myself to know to someone, with everything bad and good, I think it would be this story. Then others. But this undoubtedly first.


O MONTE DOS VENDAVAIS
Não sei precisar bem a idade que tinha quando li este livro pela primeira vez, julgo que 15/16 anos. Tenho uma memória muito presente de andar pelos corredores da escola completamente ensonada por ficar acordada até às 2 ou 3 da manhã a lê-lo. Os livros têm uma capacidade quase mágica de nos prender dentro deles até virarmos a última página. Durante toda essa semana senti que também eu era um dos habitantes d’ O Monte dos Vendavais e estava tão loucamente apaixonada por Heathcliff como a própria Cathy. Julgo que foi a primeira obra, artística ou literária, com a qual me identifiquei por completo. As paisagens descritas por Emily eram os locais que queria visitar, locais onde eu sentia que pertencia. A casa no cimo da colina, a charneca, os montes, o vento, a aridez e a inquietude próprias de uma natureza que aguarda permanentemente uma tempestade. Os sítios isolados e desolados, ainda hoje sinto que é a eles que pertenço e O Monte dos Vendavais tornou-se de certa forma a expressão máxima desse sentimento tão peculiar de quem ama as falésias, as, rochas, a solidão e o mar revolto.
A história de amor entre Heathcliff e Cathy vai assombrar-me para sempre. Entre mim e as minhas colegas de turma na altura, com quem partilhei a descoberta deste livro, criou-se um espécie de mito em torno da personagem de Heathcliff. O homem com todos os defeitos e mais algum mas que se redime pelo seu amor incondicional por Cathy. Um amor tão verdadeiro quanto doentio, um amor que destrói tudo em que toca.
Julgo que todas criámos esta ilusão de ter um dia alguém que nos amasse para sempre. “Para sempre”, a palavra que aprendemos nos contos de fada e que ganha aqui contornos muito negros e violentos. O Monte dos Vendavais não é um livro cor-de-rosa, não é um livro fácil, é rude como a paisagem que descreve, é visceral e turbulento. É um livro sobre duas pessoas que se pertencem mas que a dada altura rompem os laços que os unem e deixam de conseguir entender-se. Julgo que essa é também uma das razões pelas quais o livro teve em mim um impacto tão grande. Não é uma espécie de Romeu e Julieta em que os dois amantes são separados pelo infortúnio, pelo destino. Aqui a separação ocorre por interferência do exterior, por vontade de descobrir outras coisas, outras pessoas, por mal entendidos, por ciúmes, por vinganças, em última análise por vontade de ambos.
Because misery and degradation, and death, and nothing that God or Satan could inflict would have parted us, you, of your own will, did it. I have not broken your heart—you have broken it; and in breaking it, you have broken mine.”
Quando se tem 15/16 anos não se entende isso, não se entende porque razão eles não conseguem ficar juntos quando continuam a gostar um do outro. Não se vêm as razões, as causas, as impossibilidades, acredita-se ainda que o amor tudo pode, tudo vence.
My love for Linton is like the foliage in the woods: time will change it, I’m well aware, as winter changes the trees. My love for Heathcliff resembles the eternal rocks beneath: a source of little visible delight, but necessary. Nelly, I am Healthcliff! He’s always, always in my mind: not as a pleasure, any more than I am always a pleasure to myself, but as my own being.
Para além da identificação com a paisagem e de certa forma com o temperamento arrebatado de ambas as personagens, este livro perturbou-me muitíssimo. Já utilizei esta palavra antes mas julgo que é a correcta, assombrou-me. Podia escrever sobre ele o dia inteiro, sobre todas as emoções que me suscitou, sobre a forma como a interpretação da história vai mudando com o passar dos anos, mas julgo que disse o essencial. Se tivesse de dar algo de mim a conhecer a alguém, com tudo de mal e de bom que encerra, julgo que seria esta história. E depois outras. Mas esta, sem dúvida, primeiro.

Joana Linda – August 21, 2012

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