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The Brothers Karamazov

I must have been 16 or 17 years old when I read this book for the first time. I couldn’t understand all the book’s complexity, at the time. But it remained like some sort of stain that came back to disturb once in a while. I came back to it later, several times. The last time I read it, it was the excellent Filipe and Nina Guerra’s translation. I realized in those later readings, the whole world, disturbing as I see it now, was inside this book.

Each one of the three Karamazov brothers represents one vision of the world, a different posture before life: in Dimitri, we find a passionate impulse; in Ivan the disenchanted cynicism; in Aliocha the restless faith. Dimitri launches himself into life like if each day was the last one and brings down everything and everyone in one storm of feelings and actions; Aliocha believes in God and in mankind, but he feels anxiety the world brings to him. However, despite the differences, they stick together to save what it’s still common to them – the love they feel for each other despite all. Russian life and the philosophic theories of the XIX century are imprinted in this book like a set of a story that walks to the tragedy, but ends like a blow of hope in mankind and in the world. It’s almost everything in there.


Os Irmãos Karamázov

Deveria ter 16 ou 17 anos quando li este livro pela primeira vez. Não fui capaz de perceber toda a complexidade do livro, na altura. Mas ficou como uma espécie de mancha que voltava para me inquietar de vez em quando. Voltei a ele mais tarde, várias vezes. A última vez que o li foi na excelente tradução do Filipe e da Nina Guerra. Percebi nestas leituras mais tardias, que o mundo todo, inquietante como o compreendo agora, estava dentro deste livro.

Cada um dos três irmãos Karamazov representa uma visão do mundo, uma postura diferente perante a vida: em Dimitri, encontra-se o impulso apaixonado, em Ivan o cinismo desencantado, em Aliocha a fé inquieta. Dimitri lança-se à vida como se cada dia fosse o último e arrasta tudo e todos numa avalanche de sentimentos e acções; Ivan analisa tudo como se pudesse olhar o mundo de fora, sem dele fazer parte; Aliocha acredita em deus e nos homens mas não deixa de sentir a inquietação que o mundo lhe traz. No entanto, e apesar das diferenças, são eles que se unem para salvar o que ainda lhes é comum – o amor que apesar de tudo, sentem uns pelos outros.

A vida russa e as teorias filosóficas do século XIX estão inscritas neste livro como cenário de uma história que caminha para a tragédia, mas termina com um sopro de esperança nos homens e no mundo. Está quase tudo ali dentro.

Fátima Pires – September 8, 2012

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