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“The cry of the gull”, from Emmanuelle Laborit, was the first book I ever read on being deaf and it marked me forever. This will always be one of my all time favorite books, because thanks to it I got to know what it feels like being deaf, in a story told in the first person by Emmanuelle Laborit herself, who was deaf. 

Through this book I came across a reality that was utterly unknown to me and I fell in love with it.

Emmanuelle was born deaf, but her deafness was only detected when she was nine months old. Because of that, she was forced to go through the traditional way of learning things, like a child that hears. But, like any deaf child that has no access to her mother tongue, Emmanuelle felt lost and alone in the world.

Later, by mere chance, her parent discovered sign language and a hole new world was unveiled to Emmanuelle: she found out she was not alone and there were others like her.

It wasn’t easy for her to start talking in sign language because, at that time, sign language was forbidden in France and the listeners did not accept well deaf people. Emmanuelle had a difficult childhood and adolescence but she was a fighter. She never gave up on the deaf people’s rights and on the recognition of sigh language and thanks to her persistence and commitment, she conquered that recognition and became a very famous actress winning the Moliére revelation prize in 1993.

She was only 22 years old when she wrote this book and it contains a lot of emotional detains that deserve to be read. One such detail touched me so deeply that I sought out to try it for myself.

Emmanuelle wrote that she spent hours “listening” to her uncle play the guitar by biting the guitar’s arm in order to feel the note’s vibrations on her body, which made her feel so many different emotions.

I play the guitar. I live and bread music and vibrate with it so once I bit my guitar’s arm and the feeling was unbelievable! And I never would have though of that if I hadn’t read this book.


“O grito da gaivota”, de Emmanuelle Laborit, foi o primeiro livro que li sobre a surdez e sem sombra de dúvida marcou-me para sempre. Este será sempre um dos livros da minha vida, porque com ele pude conhecer a problemática das pessoas surdas, através de um testemunho na primeira pessoa de uma surda profunda, a própria autora Emanuelle. Deparei-me com uma realidade absolutamente desconhecida mas apaixonei-me imediatamente por ela.

Emanuelle nasceu surda profunda mas só a detectaram aos 9 meses. Por causa disso ela foi obrigada a seguir os métodos tradicionais de ensino, como uma criança ouvinte. Como qualquer criança surda que não tem acesso à sua lingua mãe, Emanuelle sentiu-se perdida e sozinha no mundo. Mais tarde, os seus pais por uma mera casualidade descobriram a lingua gestual e aí um novo mundo aconteceu para Emanuelle: descobriu que não estava só e que existiam muitas pessoas como ela. Passar a comunicar em lingua gestual não foi um processo fácil pois a lingua gestual francesa era proibida na altura e os ouvintes não aceitavam as pessoas surdas. Emanuelle teve uma adolescência conturbada e problemática, mas foi uma lutadora. Lutou sempre pelos direitos dos surdos e pelo reconhecimento da lingua gestual francesa e devido à sua persistência e empenho conseguiu essa valorização e tornou-se numa atriz de sucesso, levando-a a ganhar em 1993 o prémio “Moliere” de revelação do ano. Ela escreveu este livro com 22 anos e ele está cheio de pormenores muito emotivos e que valem a pena ser lidos.

Um dos relatos da autora emocionou-me tanto que me levou a querer experimentar fazer o mesmo. Emanuelle escreveu que passava horas a “ouvir” o tio tocar guitarra, para isso mordia o braço da guitarra e sentia todas as notas estremecerem pelo seu corpo, com cada uma delas uma vibração de emoções. Eu que toco guitarra, vibro e vivo com música, uma vez mordi o braço da minha guitarra e… na realidade é simplesmente único o que se sente! Nunca me passaria pela cabeça fazê-lo se não lesse este livro maravilhoso.

 

Paula Teixeira – May 20, 2013

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