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It was a reprint of the book, by Antigona, that led me to devour Jerome and Eulalia. I had a section on literature in Curto Circuito, in the distant end of the 90s, and that book would mark me  deeply. I easily fall for good stories, love stories. Almost always bitter and wounded. And Eulalia, with the simplest of names, conquered me to that blackness that painful passion brings. Littered with misspellings, reportedly editing errors since the author wrote too many, there I had, in my hand, a novel as tragic as extraordinary. A cold environment  in a rural Portugal, hard and intense. A harsh winter in the north of the country where a man and a woman intersect and intoxicate each other. 

Almost all the characters navigate in a limbo of madness and suffering, but always reflective. They doubt everything. They question the life they ardently want to be full. The love between insecure and dense Jerónimo and sweet Eulalia. But that Graça Pina de Morais always puts in a world of mismatch, which leads the characters to always question life. Existence. Choices.

I ended up getting interested about the author, unknown to me until then. Graça Pina de Morais, MD, won the Prix Ricardo Malheiros from the Academia de Ciências in 1969, the year Jerome and Eulalia was published. Considered best work of fiction of the year, it also won the Grande Prémio Nacional de Novelística. The author would eventually die in 1992 with little popularity but a lot of quality in the works she left.

Jerome and Eulalia, anyway, tell us a love story. Of passion. Touches and sensuality. From a dark adolescence, like all others. Jerome seems to refuse to accept his existence as a man who loves … and not always controls his instincts. And he regrets. “I chose poorly. I was a cautious man who only resorted to safe paths. ”

Jerome and Eulalia holds the place of choice on my shelf of “delights”. Beside Torga and Mishima. Graça is there.


Foi a reedição do livro, pela Antígona, que me levou a devorar Jerónimo e Eulália. Tinha uma rubrica sobre literatura no Curto Circuito, nos longínquos finais dos anos 90, e aquela obra marcar-me-ia profundamente. Sucumbo, facilmente, a boas histórias, de amor. Quase sempre amargas e sofridas. E Eulália, com o mais singelo nome, conquistava-me naquela negrura que a paixão dorida traz. Pejado de erros ortográficos, segundo consta, erro de quem fizera a revisão já que a escritora, ela própria, escreveria com diversos, tinha ali, na mão, um romance tão trágico quanto extraordinário. Num ambiente frio de um Portugal rural, duro e intenso. Um inverno rigoroso a norte do país onde um homem e uma mulher se cruzam e inebriam. Quase todas as personagens navegam num limbo de loucura e sofrimento, sempre reflexivas. Duvidam de tudo. Questionam uma vida que querem, ardentemente, cheia.

Um amor entre o inseguro e denso Jerónimo e a doce Eulália. Mas que Graça Pina de Morais coloca sempre num mundo de desencontro, o que leva os personagens a questionar, sempre, a vida. A existência. As escolhas. Acabei por me interessar sobre a autora, desconhecida para mim, até então. Graça Pina de Morais, médica, venceu o Prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências em 1969, ano em que Jerónimo e Eulália foi publicado. Considerada melhor obra de ficção do ano, arrecadou, ainda, o Grande premio Nacional de Novelística. A autora acabaria por morrer em 1992 com pouco nome mas muita qualidade nas obras que deixou.

Jerónimo e Eulália, assim mesmo, contam-nos uma história de amor. De paixão. De toques e sensualidade. De uma adolescência, como todas, tenebrosa.  Um Jerónimo que parece recusar-se a aceitar a sua existência como homem que ama… que nem sempre controla os seus instintos. E arrepende-se. «Eu escolhi mal. Fui um homem cauteloso que só recorreu a caminhos  seguros.» Jerónimo e Eulália mantém o lugar de eleição na minha prateleira das “doçuras”. Ao lado de Torga e de Mishima. A Graça está lá.

Rita Marrafa de Carvalho – July 4, 2013

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