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“ Sem Família” mostrou-me a força, o encanto, o poder da palavra escrita, das histórias, da ficção.

Tinha dez anos quando o li e nunca mais parei de ler histórias. Por essa altura, comecei também a contar histórias através das  personagens que fazia no Teatro. Também nunca mais parei.

A viagem de Remi através de França, à procura da sua família, acompanha-me há quarenta anos. O autor é Hector Malot.

“ (…) Tínhamos percorrido parte do Sul de França.

         A nossa forma de viajar era das mais simples; íamos sempre para a frente, ao acaso, e, quando encontrávamos uma aldeia que de longe não nos parecia muito miserável, preparávamo-nos para uma entrada triunfal. Eu arranjava os cães, penteando Dolce, vestindo Zerbino, colocando um emplastro no olho de Capi para que ele pudesse representar o papel dum velho veterano, e, finalmente, obrigava Joli-Coeur a vestir o seu fato de general.

        Posto os actores em grande aparato, Vitalis agarrava no pífaro, e, em boa ordem, desfilávamos pela aldeia(…).

        (…) E para mim foi uma grande felicidade essa aprendizagem, que me preparou para resistir aos golpes que mais de uma vez me deveriam atingir, duros e esmagadores, durante a minha juventude (…)

Manuela Couto – April 12, 2015

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