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Os Cadernos de Dom Rigoberto

Ainda não encontrei o livro da minha vida. Mas tenho vários livros para a vida. Mario Vargas Llosa é um dos escritores que mais admiro, e revisito “Os Cadernos de Dom Rigoberto” sempre que quero estar perto de uma das minhas personagens favoritas de sempre. Dom Rigoberto dedica-se aos livros e à arte de forma total, retira uma satisfação única da cultura, e de tudo o que lhe permite aprender e enriquecer a nível intelectual. Não se considerando intelectualmente superior, descreve sem rodeios que o ser humano pode escolher entre evoluir ou estagnar. A cultura é um ponto essencial, uma forma de liberdade e escape da opressão social e profissional, o conhecimento é sempre a forma pela qual o individuo “se desintoxica da espessa crosta de convencionalismos embrutecedores, vis rotinas.” (pág. 230)

A vida de Dom Rigoberto está nos seus cadernos, a que recorre continuamente, meditando sobre o passado, expondo pontos de vista, escrevendo sobre o que gosta e sobre o que o atormenta. É uma espécie de cavaleiro branco da busca constante do conhecimento e da sabedoria. Mas ao mesmo tempo, e como verdadeiro apreciador dos prazeres da vida, atribui ao sexo e ao desejo físico um patamar de importância elevada e cuidada, envolvendo-se constantemente em devaneios eróticos por Dona Lucrécia, o expoente máximo do prazer na sua vida. O ponto de onde tudo parte e onde tudo termina, o seu tudo e o seu nada. O desejo constante por ela eleva-lhe de tal modo a criatividade que vive a imaginação como se de realidade se tratasse. A mim aconteceu-me durante todo o livro considerar as suas divagações realidade, deixar-me levar, e acreditar que os cenários criados pudessem estar fora dos seus cadernos.

Este livro tem passagens que me marcam profundamente. Que sei que irei reler muitas vezes.

Márcia Balsas – March 3, 2015

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