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Mágoas e Sonhos – Poesias de Albaro (edição de autor – 1962)

Muitos dos que se expressam através de alguma arte começaram um dia com um sonho, uma visão, uma vontade incontrolável de fazer chegar às pessoas o seu trabalho.

O livro da minha vida é de meu tio Alfredo Bastos Rodrigues (1938-2015), poeta que assinou como ALBARO desde a sua primeira empreitada de poemas em 1956. Porque digo empreitada? Porque ele escreve as suas primeiras páginas soltas aos 18 anos e consegue editá-las em edição de autor aos 24 anos… alguém que não vinha de uma burguesia literária, filho de um barbeiro empreendedor e de uma costureira bem-disposta e que teve de criar a sua própria estrutura para conseguir tornar aquelas páginas soltas escritas à mão, num livro que todos pudessem ler.

Conseguiu concretizar o que idealizou e desde aí, nunca parou, escrevendo para a Dom Quixote, participando em Antologias de Poesia, anos a fio até perder totalmente a energia, já que sofria de uma doença rara no coração que o impedia de ter um dia de 16 horas acordado, como o comum dos mortais.

Este livro deu-me a cor das palavras tristes e sentidas de um jovem de coração partido pelo seu primeiro amor e fez-me escrever as minhas primeiras letras musicadas que expressavam também minhas angústias e perdas. Aventurei-me, ele deu-me o mote e eu segui-o. Deu-me, também, asas para eu própria sonhar em concretizar os meus sonhos, contra ventos e marés pois, se meu tio, na sua fraca figura de doente, sempre arranjou tempo para ser quem idealizou ser, porque não eu, saudável petiz de tenra idade, cheia de sonhos por cumprir…

Partilho em tom de homenagem sentida, pois partiu, meu tio amado e querido, no início deste ano…deixou saudades. Mas a mim, deixou-me mais que a saudade de sua coragem e bondade. Deixou-me uma vontade redobrada de ajudar meus pares artistas a acreditarem inequivocamente em seus sonhos, sem nunca baixarem os braços.

Christina Quest, 28 de Setembro de 2015

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