logo

Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquéz

Nunca soube responder quando me perguntam qual é o meu filme favorito ou a minha banda preferida, mas o mesmo não acontece com os livros. Quando por algum motivo se torna necessário eleger o livro da minha vida, tenho a resposta na ponta da língua: Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Márquez.

A primeira coisa que acontece quando começamos a ler este livro é deixarmos de respirar. Desde a primeira frase, uma das mais célebres da história literária, [“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.”] que somos arrastados por um turbilhão de acontecimentos mágicos, sangrentos e escandalosos também, que giram em torno de uma família na qual os nomes se repetem geração após geração e com a qual viajamos para a frente e para trás no tempo, de forma tão fluída e tão rápida, que ficamos com o cérebro a doer ao tentarmos não perder o fio à meada. A segunda é que não conseguimos parar de ler, só mais um parágrafo, só mais uma página, só mais um capítulo, … Já estamos dentro do turbilhão!

Precisamente para não perder o fio à meada, sempre que leio este livro vou desenhando uma árvore genealógica, adicionando as personagens à medida que elas surgem no livro, ligando-as entre si pelas ligações familiares, amorosas e incestuosas (até ao nascimento do último Aureliano, que veio ao mundo com um rabo de porco, tal como avisava a lenda). Tenho a primeira árvore genealógica que desenhei da primeira vez que li o livro na sua última folha, mas nunca lá vou espreitar o resultado final, gosto de ir (re)descobrindo, aos poucos, a família e a sua história.

O livro Cem Anos de Solidão impressionou-me pela forma como descreve tão bem os desencontros e os escândalos das famílias (quem os não tem), o vazio da guerra sempre presente e a solidão enquanto única resposta possível perante certas crueldades da vida… E a forma como a vida anda sempre aos círculos, avós, pais, filhos, netos e tios, são iguais em nome e nas suas atitudes durante a vida. “…tudo o que neles estava escrito era irrepetível desde sempre e para sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a Terra.” E não é a isso que estamos condenados todos, ao esquecimento, para sempre?

Aconselho a leitura de Cem Anos de Solidão não uma vez na vida, mas sim muitas vezes ao longo da vida! É um livro realmente especial, difícil de explicar por palavras. O melhor mesmo é lê-lo e deixar-se levar pela história.

Obrigada Mário pelo projeto Book Loving Girls! <3

Sónia Costa – 14 de Agosto de 2017

Leave a reply