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Tag : Al Berto

14 Sep 2015

Diários – Al Berto

O livro.

Não saberia decidir qual deles o livro mais importante, o favorito.

Há tantos ao longo da vida e são muitas as coisas que gosto: frases, excertos, sensações.

Seria justo escolher apenas um?

O livro é físico, cheira-se, pesa na mão, temo-lo por casa ou dentro da carteira para ler em qualquer altura. Gosto de sublinhar parágrafos inteiros, dobrar cantos de páginas importantes, marcar, rasgar. Não sou apologista da impecabilidade da capa, gosto das rugas e das marcas do uso.

Li aquele livro e marcou-me. Eu marquei aquele livro também.

Gosto sobretudo de voltar a pegar num livro já lido e reler as anotações – as minhas ou as de outrem. O que sentia? Certamente serão feitas novas anotações, pois à segunda leitura mergulha-se ainda mais profundamente.

O livro é um objecto muito pessoal  e é difícil explicar a terceiros porque nos fascinamos tanto, pode ser uma frase, um poema.. Uma palavra a seguir à outra, perfeitas. Histórias inventadas ou as outras, as verdadeiras. Tudo muito bem alinhado página a página, outras vezes na ilusão do caus, a estória confusa e entrecortada como um jogo.

Como explicar porque gostamos de um livro?

Quando o Mário me pediu para falar sobre um livro importante para mim muitos deles eram diários. Fascina-me a transgressão de espreitar dentro do pensamento de outra pessoa, a emoção nua, sem a máscara de nenhuma personagem, mas também essa rotina de descrever a vida de uma forma muito emotiva e pessoal na primeira pessoa. Sim, uma leitura voyeurista.

Os diários. O lugar secreto onde se descrevem as coisas  mais privadas e emocionais lado a lado com as mais mundanas. A descrição das rotinas pessoais de cada um, como ir ao café ou a descrição de um jantar, lado a lado com uma declaração de amor.

Por isso escolhi o livro “Al Berto Diários”.

O primeiro livro que comprei do Al Berto foi O MEDO, e foi uma paixão arrebatadora. Quando soube que iriam publicar os diários fiquei curiosíssima e assim que foi editado, comprei-o de imediato. O livre engloba os diários entre 1982 a 1997. E vamos descobrindo um homem que questiona a vida, a morte, o desejo e o amor. Passaram-se 3 anos: livro anotado, marcado e sempre na mesa de trabalho onde o posso folhear a qualquer instante.

“quantos livros me faltarão ler? uns poucos de linhas de livros diferentes, são o livro ideal.” 26 MAR 1985, rua do Forte (Al Berto, Diários)

Rute Magalhães, 11 de Setembro de 2015

14 Sep 2015
14 Sep 2015

Rute Magalhães – Diários / Al Berto