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Tag : Joana Macedo

18 Jun 2012

The process of writing is somewhat complex. It makes you reorganize your thoughts and find an order amidst the confusion of ideas and concepts. To write, you must first read, read a lot and think. It takes time and good books that we can relate to with passion. Books that make us doubt that which we know, but also that relate to our own intuition. It’s a bit like love at first sight. Seduction can only be fullfield when expectations are matched.

That’s what happened with Ranciére’s book, wich captured me from the first page. I understood that what I tough about art, democracy freedom and participation where going to change. A good book is like a good lover, you want to have him close. It shows you the world once again, as new, but you feel you have known him for so many years.

In the first chapter Jacques Ranciére talks about an Ignorant Master, who gives up his prerogative of constantly verifyng his aprentice’s ignorance and in turn grabs his hand in order to lead him through the forest of signs. This simple idea on education conquered my interest. Besides that, Ranciére declares equality between inteligencies, towards itself. Only their outcome or result can have different values. There are many interesting and valid ideas on art and politics, on the world of sensitivity and the power of the subjective world esthetic experience can generate. 

It’s an inspiring book, I hope I can read again soon.


O processo de escrita é algo de complexo que nos obriga a reorganizar o pensamento, a encontrar um fio à meada que é o novelo que nos enrola a cabeça. Para escrever, é preciso primeiro, ler, ler muito e pensar. É preciso tempo e é preciso encontrar livros com os quais nos podemos relacionar com paixão. Livros que nos obriguem a interrogar aquilo que sabemos, ao mesmo tempo que se encontrem com a intuição que temos.

É um pouco como o amor à primeira vista. A sedução só pode ser concretizada perante a confirmação das expectativas. Foi assim com o livro de Jacques Ranciére, que me captou desde a primeira página. Percebi que aquilo que sabia sobre arte, participação, pensamento, sensibilidade, liberdade e política teriam que mudar. Com um bom livro relacionamo-nos como com um bom amante, queremos tê-lo sempre por perto. Mostra-nos o mundo de novo, ao mesmo tempo que fica a ideia de que o conhecíamos desde sempre. No primeiro capítulo, Ranciére fala sobre o Mestre Ignorante, que abdica de constantemente verificar a desigualdade da inteligência do aprendiz. Em vez disso, o mestre ajuda o aprendiz a entrar na floresta dos signos, mostrando-lhe como se deve orientar por entre o mistério denso da comunicação.

Conquistou-me esta ideia tão simples. Além disso, o Mestre Ignorante declara a igualdade das inteligências em relação a si próprias. Apenas o resultado delas pode ter valores diferentes.  Enfim, há muitas ideias fortes e interessantes sobre arte e política, sobre o mundo da sensibilidade, sobre a interrogação que a experiência estética pode gerar. Acima de tudo, Ranciére defende o papel dos museus de forma vigorosa, como espaços de discussão e deslocamentos vários, onde a democracia pode ganhar vigor na partilha de sensibilidades entre pessoas tão diferentes.

É um livro inspirador, que espero voltar a ler brevemente…

Joana Macedo – June 17, 2012

18 Jun 2012

Jacques Rancière

Jacques Rancière

18 Jun 2012

Joana Macedo – O Espectador Emancipado (The Emancipated Spectator) / Jacques Rancière