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12 Dec 2017

Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Márquez

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo”.

Tinha 14 anos quando li pela primeira vez estas palavras.

Morava numa aldeia perdida na serra onde as casas não tinham livros, e nessa altura lia tudo o que conseguia, tudo o que me vinha parar às mãos.

Aprendi a ler muito cedo, decifrando as rezas da minha avó, e as receitas dos bolos de festa.

A Biblioteca Itinerante da Gulbenkian visitava a aldeia uma vez por mês e eu podia escolher dois livros. Eram os chamados “livros para a minha idade”, e não me satisfaziam de todo.

Lia-os de supetão, relia-os, e ficava vazia até poder ter outros dois novamente.

Entretanto escrevia. Escrevia sobre o que intuía, o que inventava, e também sobre os segredos mágicos que existiam na minha família e de que só se falava à boca-pequena – as histórias de amor contrariadas, as tias-avós que se suicidaram por terem perdido a honra, a minha bisavó que morreu de uma tristeza a que chamaram loucura mansa, e que passou os últimos anos da vida sentada numa cadeira sem proferir uma palavra- mas também sobre as plantas e os animais, e o nome das estrelas que o meu avô me ensinava.

Era solitária e melancólica, mas via magia em tudo e em todas as coisas.

Negavam-me essa magia, e diziam-me com a cabeça nas nuvens.

No entanto eu senti-a e sabia que existia.

Nessa altura foi decidido que eu iria estudar para longe de casa. O meu pai foi aconselhar-se com um professor do liceu que morava numa aldeia próxima, e eu fui com ele. Foi a primeira vez que vi uma estante cheia de livros, uma estante que ia de uma parede à outra, uma parede inteira maravilhosamente coberta de livros.

E em cima de uma mesa estava o Cem Anos de Solidão!

Nesse dia trouxe-o emprestado para casa, mergulhei de cabeça num buraco tal qual a Alice, e saí dele em Macondo!

E em Macondo, com os Buendia, encontrei o estranho o caricato o sobrenatural e o extraordinário!

Encontrei mulheres fortes, sabedoras, mulheres sem medos, mulheres que seguiam sonhos, que atravessavam montanhas, que desenhavam casas, que bordavam enxovais, que pariam, que não escondiam a sua sexualidade, a sua magia ou a sua diferença.

E homens que não iam apenas à guerra, construíam também os seus sonhos, e tinham a certeza deles!

Todos eles, homens e mulheres marcados secretamente por uma enorme solidão!

Nunca mais fui a mesma desde que li este livro pela primeira vez!

Sei-o de cor!

Com ele aprendi que a Magia é real, existe em nós, nas nossas vidas e nos nossos sonhos, basta apenas que acreditemos nela!

Maria Frazão, 10 de Dezembro de 2017

12 Dec 2017

Maria Frazão – Cem anos de solidão / Gabriel Garcia Marquez

28 Nov 2017

O Templo Dourado – Yukio Mishima

A verdadeira beleza é algo que ataca, domina e finalmente, destrói.”
Yukio Mishima

No Japão, ninguém presta atenção às coisas e às pessoas. Aprecio esta cultura onde vagueiam muitas sombras. É fácil ser-se discreto, quase incorpóreo. Yukio Mishima viveu muito tempo desta maneira encoberta, mas através do acto libertador do seppuku, desvelou-se. Escrevo estas palavras no aniversário da sua morte (Tóquio, 25 de novembro de 1970).

Retorno sempre a este livro porque sinto muito do personagem Mizoguchi, o monge gago d’O Templo Dourado, de espírito coberto de uma noite antiga em que o olhar não consegue evitar a visão prazeirosa da beleza. Não gaguejo, mas não me sei expressar harmoniosamente, só as imagens que desenho e pinto talvez se possam aproximar devagarinho das coisas que penso e quero dizer.

O Templo Dourado é um livro sobre a insuportável qualidade do Belo e a liberdade que nos traz quando somos separados deste símbolo. Segundo o monge Zenkai, quando se é feio, é mais fácil viver, porque possuímos uma máscara que nos permite liberdade; deixam de importar os nossos actos – vamos todos morrer de qualquer forma.

Assim com Mizoguchi, fico exaltada com as faces agradáveis, os gestos elegantes e a beleza fresca que desabrocha dos crisântemos. Gosto dos majestosos Budas, Dakinis e Bodhisattvas dourados, que me guiam no tantra, que me coagem a alongar a meditação e a prolongar o tempo de preces. A possibilidade destas figuras quebrarem-se, ou serem mesmo destruídas, atribui-lhes ainda mais beleza. Encanta-me a sua beleza excessiva. mas por vezes entristece-me a separação da minha imagem com estas figuras sagradas, é quase cruel – o Belo pode ser amargoso. Compreendo a censura de um rosto belo, ao ignorar os actos dos outros, mas é doloroso este desapego de silêncio. O belo mais que belo provoca cegueira, é certo, e assim como a traça que voa à volta da lâmpada, embato com violência contra a barreira invisível que me separa de tudo isto, procurando activamente estar banhada nesta luz purificadora de beleza.

Refugio-me todos os anos n’O Templo Dourado com a forte vontade em percorrer o caminho do monge incendiário, que, com o desejo de liberdade, decide destruir o mais belo objecto do seu mundo, o templo.

O meu exemplar d’O Templo Dourado foi-me oferecido pelo meu pai. A capa perdeu muita da sua cor dourada, e ficou com dobras e cantos comidos pelo uso e pela constante companhia na minha mochila. As dobras e riscos que tem recordam-me das gravuras japonesas, e as páginas que eram negras perderam a intensidade, agora são foligem, assim como o templo. Talvez tudo isto seja exagero.

Terminei este livro, pela primeira vez, sentada num cadeirão, no meu quarto transbordado com a luz vermelha do pôr do Sol, e quando li Mizoguchi a contemplar a imagem espelhada no lago do templo em chamas, puxando do cigarro e escolhendo viver, também eu observei a luz da minha janela, repetindo as mesmas palavras. Compreendi como as coisas belas repousam num mundo que nos é indiferente, e que isso nao tem de ser entristecedor. Desde então olho os templos dourados que visito com um olhar mais sereno e tenho sempre comigo, no meu pequeno caderno de rabiscos, uma fotografia de Mishima.

O Templo Dourado (金閣寺 Kinkaku-ji), Yukio Mishima, 1956
Tradução de Filipe Jarro
Assírio e Alvim, 1985

Maria da Luz Rivara, 25 de novembro de 2017

28 Nov 2017

Maria da Luz Rivara – Yukio Mishima / O Templo Dourado

28 Sep 2017

Things Fall Apart – Chinua Achebe

O Tejo vertendo no Atlântico, amplo e luminoso, por baixo da ponte 25 de Abril, é para mim um dos locais mais inspiradores de Lisboa, que faz-me sempre viajar mentalmente até outros universos, como a boa literatura. Uma visão que, de certeza, também inspirou muitas outras pessoas e apelou-as para a aventura. Daqui partiram de barco, respondendo a um chamamento interior; sonhavam com a prosperidade, com façanhas, descobertas,… vá lá saber qual ideia os fazia riscar a própria vida. Hoje, um monumento em Belém homenageia o espírito empreendedor de parte desses “descobridores” portugueses. Mas muito frequentemente esquecemos que, aqueles que tiveram que os acolher, nas outras margens, não viveram o encontro como uma simples aventura, mas sim como uma experiência traumática. As consequências dessas viagens perduram até aos nossos dias, mudaram o planeta e a nossa percepção do mesmo de forma dramática.

Em terra firme, nas outras margens, os Europeus chegavam e “tudo se desmoronava”. Essa é a ideia de partida que subjaz no título “Things Fall Apart”, de Chinua Achebe. Publicado em 1958, dois anos antes da independência do seu pais, é o primeiro volume da chamada “Trilogia Africana” do escritor nigeriano. Ambientada a finais do século XIX, em plena expansão colonizadora europeia, conta a estória de Okonkwo, um chefe e pai de família de uma comunidade igbo, bem como dos seus familiares e outras pessoas da aldeia, chamada Umuofia, e de vários ingleses destinados no território.

O facto imperialista é narrado do outro lado, o lado Africano neste caso, mas a grandeza do livro é não cair numa pura nostalgia simplista de “tempos melhores”, num bucólico passado pré-colonial livre de males. Pelo contrário, Achebe é um autor sinceiro e sem complexos que apresenta as personagens e a sociedade igbo em toda a sua complexidade, com as suas luzes e as suas sombras. As páginas estão cheias de ironia e humor, e nenhuma das personagens é tratada com condescendência, nem sequer Okonkwo, o principal, que por vezes amamos e por vezes parece-nos ser o mau da fita. Justamente por isso, esta história é um contra-relato: revela a falta de percepção dos colonos, que a pesar de se considerarem superiores, não conseguem perceber a complexidade dos “sujeitos”, dos Africanos, e interpretam as suas reações como “selvagens” ou bárbaras.

Já tinha ouvido falar do livro muitas vezes e, de facto, não foi uma revelação quando finalmente o li. Marcou-me por razões menos comuns, pois veio tristemente confirmar e apoiar uma convicção minha que, desde há muitos anos, pareço partilhar com poucas pessoas: as coisas não têm evoluído muito após mais de um século e a grande maioria dos ocidentais -e não só- continuam a considerar os outros continentes como inferiores, mesmo aquelas pessoas que acham agir de boa fé. Acontece com a personagem de Mr. Brown, o missionário inglês que faz amigos entre os ‘nativos’, procura compromisso e não violência, mas acaba por ter uma imagem paternalista dos Africanos.

Esse cenário que eu própria observo, com grande frustração, é uma cópia daquele que descreve Achebe; os imperialistas são, talvez , hoje grandes empresas que exploram recursos, os missionários religiosos tornaram-se cooperantes que vão ajudar os pobres e incapazes africanos. Desde estes e outros preconceitos, a falta de compreensão é inevitável. Mas esta estória é também uma resposta do mais alto nível, uma porta entreaberta que deixa imaginar outros futuros.

Apesar de ter sido publicado há mais de cinquenta anos, ‘Things Fall Apart’ está de acordo com a actualidade num mundo que precisa de rever a sua história moderna para se olhar a si próprio sem medo e, principalmente, sem hierarquias de culturas. Devia ser leitura obrigatória em todas as escolas secundárias do mundo, como um clássico da literatura universal. Acima de tudo, é um livro escrito com realismo e genialidade, que retrata a vida diária duma forma quase física; sem ser pesado, consegue transmitir, por exemplo, os cheiros ligados à mudança de estação, o sabor do inhame cozinhado ou os barulhos de uma reunião de pessoas (…). O leitor sente-se presente, mas também faz uma viagem radical; provavelmente, a viagem definitiva, a mais importante, não a um outro continente exótico e distante, mas sim a um sítio perto, misterioso e conhecido ao mesmo tempo: o interior da alma humana, que é comum a todos, não importando de onde vimos.

Angela Rodríguez Perea, 23 de Setembro de 2017

28 Sep 2017

Angela Rodríguez Perea – Things Fall Apart / Chinua Achebe

22 Sep 2017

O Grande Gatsby – Scott Fitzgerald

Tinha 17 anos e uma ânsia de mundo que a visão do Tejo, da janela de casa, atiçava. Sonhava com aviões e comboios nocturnos, mas, nesses tempos pré-Erasmus, só os livros e os filmes acalmavam tal desejo. Na disciplina de Inglês, no 12º ano, exigia-se então a leitura integral do romance de Francis Scott Fitzgerald, The Great Gatsby. “Uma seca”, garantia quem por lá passara anteriormente. “Um clássico da literatura norte-americana”, advertia a professora que, percebia-se rapidamente, não morria de amores por essa história de sonhos perdidos na América da Lei Seca.

Creio que me apaixonei logo pela musicalidade das palavras, mesmo que tivesse de ler com Dicionário Inglês-Português ao lado. Durante anos, soube de cor as primeiras linhas: “In my younger and more vulnerable years my father gave me some advice that I’ve been turning over to my mind ever since.” Depois, havia o ambiente e o cenário: os loucos anos 20, as raparigas de cabelo à garçonne e vestidos de franjinhas que acompanhavam o ritmo frenético dos pés a dançar o “fox trot”. Amantes sonhadores em tardes em que só se movia a gaze das cortinas nas janelas. Um pontão, no horizonte, de que se divisava a luz verde de um pequeno farol. Pego no exemplar, velho de 30 anos, que usei nesse distante ano lectivo de 1985-86, editado pela Charles Scribner’s Sons, de Nova Iorque, e ainda lhe encontro as anotações que fiz a lápis – e em Inglês para me facilitar o estudo. Referem-se quase sempre aos caracteres das personagens (a inconsistência intelectual e moral do casal Buchanan, o desespero dos Wilson, a nova mulher independente e desportista personificada por Jordan Baker), mas rapidamente compreendo, e recordo, que o meu coração adolescente balançava entre Nick, o narrador, e o protagonista, Jay Gatsby. Creio que voltaria a balançar, talvez porque, no coração e no sistema de valores, continuo a ter exactamente os mesmos 17 anos.

Francis Scott Fitzgerald, que escreveu esta obra, hoje canónica, com menos de 30 anos, teve uma vida breve e atormentada porque ao sucesso precoce não correspondeu continuidade igualmente brilhante. Diz-se que, por causa de Zelda, a sua disfuncional amada, ou porque a bebida e os prazeres da vida boémia o foram desviando dos rigores da escrita. O certo é que, sei-o hoje, criou o protótipo do herói americano que está para a Literatura, como Gary Cooper, Humphrey Bogart ou, mais recentemente Sam Shepard, estiveram para o Cinema. Um homem solitário, misterioso, nem sempre honesto nos negócios, mas leal nos sentimentos, que reinventa o mundo à sua imagem, movido por uma vontade indómita (título, aliás , de um filme justamente com Gary Cooper). Alguém a quem uma paixão contrariada na juventude servira de motor para procurar a suprema riqueza, o luxo à Citizen Kane, novas “raízes”, na tentativa de reconquistar o amor da sua vida, sem cuidar de saber se este estaria à altura da expectativa. Advertem-no de que não pode repetir o passado. Sentindo-se omnipotente na sua determinação, parece nem perceber a justeza da questão. “Of course I can”, responde, sem que o assalte a mais ténue dúvida. O que ele não podia saber, na sua cegueira, é que idealizara a amada Daisy, a ponto de não perceber que ela há muito que hipotecara qualquer sonho de amor a uma vida de dourada vacuidade.

O que me impressiona hoje é como esta história de amor e frustração tocou tanto uma miúda de 17 anos, que mal começara a viver, mas que, graças a tal paixão literária, conseguiu a melhor nota nacional do exame de Inglês desse ano lectivo. Seria o romantismo do protagonista, a sua necessidade de reinventar o mundo e a si mesmo, como eu própria, insatisfeita com o meu destino periférico (sim, Portugal era mesmo um sítio periférico em meados dos anos 80), sentia? A verdade é que esse fascínio perdura até hoje, sobrepôs-se a muitos outros amores literários e resistiu a várias adaptações cinematográficas (desde a de 1974, com Robert Redford e Mia Farrow, até à luxuriante, de Baz Luhrmann, em 3D, com Leonardo DiCaprio). Ao longo da vida, ofereci muitos exemplares de The Great Gatsby. Em Inglês, mas também em Português (numa boa tradução do escritor José Rodrigues Miguéis) e tenciono oferecer mais uns tantos. Em alguns casos procuro chamar a atenção para os cambiantes e matizes, tantos e tão belos, que se ocultam no que pode parecer uma banal história de amor e desamor. Para aquilo que torna The Great Gatsby uma obra que resiste à passagem do tempo, à mudança de hábitos e costumes, lado a lado com Guerra e Paz ou Dom Quixote. Como aquele final, deslumbrante, em que Fitzgerald estabelece o contraponto entre o optimismo inabalável do protagonista, simbolizado pela luz verde no pontão fronteiro à sua janela, e a força de um passado que não termina. Leiam devagar para lhe saborear as palavras: “So we beat on, boats against the current, borne back ceaselessy into the past.”

Maria João Martins, 21 de Setembro 2017

22 Sep 2017

Maria João Martins – The Great Gatsby / Scott Fitzgerald

13 Sep 2017

Novas Cartas Portuguesas – Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa

Escolho um livro maldito. O adjetivo não é meu, é de uma das autoras das Novas Cartas Portuguesas, Maria Teresa Horta, mas demonstra bem a perspetiva que muitos têm do único livro que alguma vez levou as suas autoras ao banco dos réus em Portugal, qualificado como “pornográfico e atentatório da moral pública”. Escrito por três mulheres – Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, conhecidas como as Três Marias –, as Novas Cartas Portuguesas são amadas fora e desprezadas dentro. Banido nos anos 70, o livro é, ainda hoje, das obras portuguesas mais traduzidas em todo o mundo, apontado como símbolo da luta antifascista em Portugal – coisa que o próprio país raramente se lembra de fazer. Este livro é um manifesto contra todas as formas de opressão, um grito sobre a condição das mulheres e a discriminação de que são alvo. É subversivo, pois. A ideia de igualdade também. As Três Marias só não foram presas porque entretanto aconteceu a Revolução de Abril. Nem os doutos da literatura têm desculpa por este esquecimento dissimulado, porque o livro é, também, inovador na forma, desde logo porque é escrito a seis mãos, que nunca denunciam qualquer autoria individual, mas também porque junta poesia, romance, ensaio, conto e carta. Apesar de reconhecida internacionalmente, quer do ponto de vista literário, quer do ponto de vista político, a obra pouco é estudada em Portugal, entrincheirada em estudos feministas e de género, que, como sabemos, continuam, lamentavelmente, a ser olhados de lado por ciências mais ou menos exatas que se acham superiores.Valha-nos o trabalho persistente de Ana Luísa Amaral – que, em 2011, fez uma edição anotada dedicada às novas gerações – para não o deixar cair no esquecimento (http://www.novascartasnovas.com/).

Tenho um exemplar velhinho deste livro. É da minha mãe, com dedicatória do meu pai, e ela passou-mo quando, há muitos anos, fui a uma sessão com as autoras e com Maria de Lourdes Pintasilgo, autora de um prefácio quase tão importante como a obra, que me deixou a seguinte dedicatória: “A nova geração mudará tudo!”. Este livro mudou-me, no sentido em que me demonstrou como a sociedade patriarcal e machista considera perigosa uma escrita assumidamente feminista, que pensa fora da caixa, que questiona a ‘natural’ ordem das coisas. Este livro consolidou a minha abordagem feminista à vida, adotada em tudo o que faço. Defendo – e comprometo-me a lutar para reverter isso – que as Novas Cartas Portuguesas não têm tido o lugar que merecem na História do país e que merecem passar a ser leitura obrigatória no ensino português.

Sofia Branco, 12 de Setembro de 2017

13 Sep 2017

Sofia Branco – Novas Cartas Portuguesas / Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa